Por que gostam do nosso produto mas não usam ou pagam por ele?

Quando vemos um produto ruim pensamos: somos capazes de fazer muito melhor e conquistar o mundo. Mas se o produto chegou ao nosso conhecimento deve ser porque ele já faz algum sucesso. Por outro lado, provavelmente já fizemos produtos que não foram muito longe apesar da qualidade superior. O estranho é que não é porque as pessoas não gostam do nosso produto. Na verdade, elas gostam mas não usam! Gostam mas não compram! Durante muito tempo fiquei intrigado, mas agora acredito ter a resposta do motivo pelo qual isso acontece.

Do que as pessoas gostam?

Enquanto desenvolvíamos o Wesave mostramos para várias pessoas. Elas adoravam! Se você não conhece ainda veja este post. Veja os vídeos. Duvido você não gostar, assim como seis mil pessoas gostaram no Facebook! Duvido não achar a idéia boa! Apesar disso, infelizmente, duvido você usar!

Se fosse uma das pessoas que mostramos o Wesave antes de lançar você teria dito que usaria. E não faria isso por amizade ou qualquer outra coisa. Você acreditaria na idéia de verdade. Assim como nós acreditávamos. Mas quando chegasse a hora de usar você não daria a mínima. Por quê?

Pode ser uma roupa, um carro, um show, uma dança, um pintura, um objeto, etc. Qualquer coisa, quando bem executada, é admirada. E este é o primeiro motivo pelo qual você iria gostar do Wesave antes do lançamento: é um software muito bem executado.

O segundo motivo é que as pessoas gostam de boas idéias. Na verdade, as pessoas gostam da história que a sua idéia proporciona. E aqui mora o grande perigo, afinal de contas todos somos muito bons em contar histórias.

Todos contamos histórias

O ser humano evoluiu contando histórias. Antes da escrita era assim que o conhecimento passava de geração para geração. Assim o nosso cérebro evoluiu por milhares e milhares de anos.

Quando estamos reunidos com amigos, por exemplo, gostamos de contar as histórias onde nós somos os heróis. Falamos de quando vencemos uma briga, quando tivemos a atitude correta, etc. Falamos como se sempre estivéssemos certos e na maioria das vezes tornamos os fatos muito maiores do que são.

No dia-a-dia isso não é um problema. Fazemos com boa intenção, pois no fundo só queremos entreter as pessoas. As histórias que contamos na roda de amigos têm esta função social. Mas isso é uma armadilha perigosa quando se tratam de idéias para produtos.

A história da sua idéia

Toda idéia não passa de uma hipótese. A execução só serve para prová-la ou negá-la. Idéia alguma é certeza de sucesso! Mas quando se trata da nossa temos aquela sensacão: “não tem como não dar certo”. Sabe de onde isto vem? Da história da idéia que você conta para você mesmo e para os outros.

A história da idéia nada mais é do que o cenário perfeito. É o mundo maravilhoso onde tudo ocorre como você prevê. Duvidamos da previsão do tempo mas não das nossas previsões. Nossos cérebros preferem se apegar às nossas histórias. Isto é genético! Isto é humano! Tal como gostamos de filmes com finais felizes a história do nosso produto não pode ser diferente. Fazemos isso pelo mesmo motivo que lemos um romance, vamos ao teatro e ao cinema. A diferença é que nestes casos pagamos para viver a fantasia. Com um produto não é bem assim.

Produtos baseados em fatos reais

Muitos produtos são legais justamente porque suas histórias são legais. Não me refiro a história do passado de como ele foi construído. Falo da história do futuro sobre como o produto parece resolver o problema. Vira e mexe o cliente vê uma apresentação e acha legal. Mas só pagamos pela história de um produto (sem ele resolver um problema de verdade) quando ele tem marca. A marca é o melhor vendedor de histórias do mundo: a história de que o consumidor tem status, é moderno, é livre, etc. Se o cliente não está disposto a pagar é porque não precisa do produto ou a marca não é boa o suficiente.

A Nike, uma das maiores empresas de Marketing do mundo é expert em contar histórias. Neste comercial genial “a história da segunda pele”.

Se olharmos para trás agora veremos que nosso produto fracassado foi apenas uma história de ficção. Uma história que nos fez felizes enquanto o filme era projetado em nossas mentes. Por isso devemos sair do estúdio de cinema em que trabalhamos e ver como é o mundo lá fora. Um mundo onde os únicos produtos que dão certo são baseados em fatos reais.

O perigo da qualidade

Para quê serve a qualidade?

Nos últimos anos tive a sorte de participar de três projetos de qualidade invejável.

Em 2010, quando fizemos o Agon, pouco se falava de Game Mecanics. Mais tarde criaram um termo para descrever a nova onda: Gamification. Ainda assim, fora o Agon, não vejo esta técnica sendo aplicado nas empresas, o que me faz pensar que ele esteve um pouco a frente do seu tempo.

Alguns meses depois criamos o Holmes. Pelo que vejo acho que não existe concorrente a altura. Não conheço nenhum software semelhante com um conceito tão inteligente!

Neste meio tempo também desenvolvemos o Wesave. Ainda bem que Four Square melhorou muito, pois na época que lançamos o Wesave, tanto do ponto de vista do Design quanto do ponto de vista técnico o nosso aplicativo dava de dez a zero.

Sim, são excelentes projetos. Mas de que serve a qualidade se isso não se traduz em resultado? E o que é resultado no mundo capitalista além do capital?

Alienação qualitativa

Qualidade é algo que buscamos sempre pois é onde está nossa satisfação profissional. Gostamos de pensar que somos bons no que fazemos. Gostamos de ser elogiados e reconhecidos. Por isso não tem um dia sequer que não buscamos nos especializar em execução. Lemos artigos, assistimos palestras e fazemos treinamentos. Parece até que a qualidade em si é o problema. É aqui que mora o perigo.

Um trabalho de qualidade é um trabalho bem feito. Trabalhos mal feitos costumam ser rápidos. Trabalhos bem feitos tomam muito tempo. Ao contrário do que muita gente pensa, você não precisa de mais tempo para fazer bem feito. Você precisa aprender a decidir melhor o que não deve ser feito. Se por um lado sabemos como executar bem, por outro, não sabemos quando não executar. Muito pelo contrário: começamos algo e não pensamos o que deve ou não ser feito, mas sim em fazer TUDO com qualidade. Percebe o perigo? A qualidade nos faz esquecer todo o resto! Entramos num mundo a parte onde a Alienação Qualitativa é uma doença contagiosa e invisível: todos prezam pela qualidade e ninguém enxerga o que mais precisa ser visto.

A arte de decidir o que não fazer

Por isso me interessei nos últimos tempos pela palavra do momento: empreendedorismo. Como tudo que está na moda 99% das pessoas conhecem só o superficial sobre o assunto. Muita gente acha que empreender significa parar de reclamar e fazer. Muita gente acha que basta ter coragem. Muita gente acha que basta persistir. Muita gente acha muita coisa e o problema é justamente este: o achismo!

Ironicamente, o empreendedor não deve se livrar do achismo. Na verdade o “achismo consciente” é o seu melhor amigo. Devemos saber que quando achamos alguma coisa estamos lidando com hipóteses. Por mais brilhante que sua idéia pareça, acredite, ela precisa ser validada.

Nas hipóteses o que importa é a qualidade da sua experimentação não a do produto em sí. Não interessa se está bonito ou não, se funciona bem ou não. O que importa é saber bem o que validar e como fazer isso com o menor esforço possível. Se você executa mal a coisa certa sobra tempo para corrigir. Se executa bem a coisa errada provavelmente perde tempo demais. É irônico mas as vezes compensa mais fazer mal feito. Também sei que dói ler isto, mas sobre a dor é o que dizem da verdade.

Estranhamente, é na busca do que não fazer que você encontra o que deve ser feito e não o contrário. Quando você acha cegamente que deve fazer algo a alienação qualitativa está no controle: você se perde e acredita que a qualidade é o problema. Quando trata tudo como hipóteses você consegue lutar contra si mesmo e deixar a qualidade em segundo plano. Então fica mais fácil descartar o que não passa de ilusão. Somente depois de testar algumas receitas é que a qualidade aparece como a cereja do bolo. O que aprendi nos últimos três anos foi que passei muito tempo tentando vender o bolo só por causa da cereja. E nem de cereja eu gosto!

Novos tempos

Há cinco meses atrás eu começava a maior batalha dos 34 anos que completo hoje.

Hiperplasia ou tumor?

Depois de uma tomografia do tórax descobri que temos no meio do peito, uns cinco dedos abaixo do pescoço, um órgão chamado timo. Este órgão é bem ativo nas crianças, mas nos adultos ele perde importância e espera-se que seja pequeno. O problema é que o meu estava grande. E isso poderia significar duas coisas: hiperplasia (aumento do órgão) ou tumor.

Embora a primeira opinião fosse de hiperplasia dois meses depois fiz uma ressonância capaz de oferecer um diagnóstico mais preciso. E segundo o radiologista “as características apresentadas não são comuns em casos de hiperplasia”. Ao ver o laudo o médico disse: pode ser um tumor, temos que operar, pois só a retirada do órgão oferece o diagnóstico final.

O medo ri das estatísticas

Eu estava prestes a sair de férias e viajar. Ao receber a notícia da cirurgia a primeira coisa que perguntei foi se era “urgente”. O médico disse que não, pois mesmo em caso de tumor, estes raramente são malignos e agressivos. Mas se tem uma coisa que sei sobre o cérebro humano é que o medo ri das estatísticas. Embora a possibilidade de malignidade fosse pequena eu tive medo, como nunca tive em toda minha vida. São nestas horas que você pensa em todas as coisas que sabe que deveria fazer mas nunca fez. O medo se alimenta de varias sensações e o arrependimento é um prato cheio.

O que importa na vida?

Fiz a cirurgia dia quinze de outubro e volto ao trabalho na próxima segunda-feira. No mesmo dia os médicos deram a feliz notícia para minha família: era só hiperplasia! Embora os exames de imagem apontassem tumor ele não estava lá. Eu havia nascido novamente. Uma benção! Uma segunda chance que poucos na vida têm.

O timo também é conhecido como o órgão das emoções. Eu sempre fui uma pessoa introspectiva, que mais observa e reflete do que vive o momento. As vezes eu sentia como se não estivesse lá de verdade, como se eu fosse um mero observador. Também sempre tive muitas coisas para falar e fazer mas que não coloquei para fora: tal como falar o quanto amo alguém na hora que isso passa na cabeça. Acho que de tanto prender isso dentro do peito meu “órgão das emoções” cresceu prestes a explodir. Era uma bomba relógio que foi desarmada pelos médicos no ultimo dia quinze.

Hoje vejo que passei o pior momento da minha vida para aproveitar os melhores que estão por vir. Foi algo que teve que acontecer para eu encontrar o caminho. Nada existe além do momento! Nada importa mais que as pessoas! A má notícia é que saber isso é apenas a teoria. É preciso muito mais para colocar em prática. Viver intensamente não é tão fácil quanto falar que assim deve ser. A boa notícia é que tenho tudo que preciso. E se começar agora ainda dá tempo. Ainda dá tempo!

O sistema que aprende a organizar os arquivos

Imagine um sistema que aprende a organizar os arquivos da sua empresa. Depois disso, quando precisa de algo basta você “pedir”. Assim é o Holmes, produto que estou desenvolvendo com a equipe de produtos da minha empresa.

Meus melhores Tweets

Recentemente descobri que o Twitter permite embutir (Embed) um Tweet numa página. Gostei da funcionalidade e por isso resolvi colocar aqui os meus “melhores” Tweets segundo os Retweets que recebi.

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