O Estadão e a Fábrica de Falácias
Para quem não sabe ainda já esta rolando há algum tempo na blogosfera uma conversação sobre a campanha do estadão contra os blogs. Eu não costumo ficar calado em assuntos que me causam indignação e se isto fosse há uns dez anos atrás minha língua estaria coçando. Mas como hoje eu tenho um blog são os meus dedos que coçam clamando por uma manifestação.
Resumidamente falando, o Estadão ironiza os autores de blogs usando determinados estereótipos para mostrar que o seu conteúdo é melhor que o encontrado na blogosfera. Duas coisas me incomodam nesta história. Primeiro, a própria iniciativa do Estadão em encomendar uma campanha publicitária para passar esta “mensagem”. Segundo, a agência de publicidade com seus aprendizes de Duda Mendonça que a esta altura já devem estar se inscrevendo nos mais variados concursos a fim de angariar novos prêmios (se é que alguma inscrição é necessária para este tipo de prêmio).
Já é obvio para qualquer ser racional que a mídia impressa tradicional é muito diferente da mídia on-line, principalmente no que diz respeito aos blogs. Mas algumas diferenças são mais sutis que outras. E é justamente uma destas diferenças sutis que eu quero trazer a tona no caso Estadão.
Para provar que possui mais credibilidade que os blogs o Estadão recorre a Publicidade, pois a publicidade ainda é a forma de lavagem cerebral mais eficiente do mundo pós-industrialização. Tal como a propaganda da margarina que faz a família feliz – e não mata ninguém de colesterol alto; tal como a propaganda da cerveja que faz um homem conquistar uma mulher com uma cantada ridícula – e não deixa ninguém barrigudo; tal como a propaganda do Banco que realiza o nosso sonho – e não lucra um absurdo com as taxas que cobra. Enfim, assim opera a publicidade. Paradoxal na maioria das vezes. Uma fabrica de falácias. E o Estadão pagou por isto.
Para ganhar credibilidade na blogosfera o mecanismo é outro. Aqui ninguém paga. É tudo espontâneo. Funciona mais ou menos assim: se as suas idéias forem realmente boas elas se propagarão pela web através de links. Vários blogs vão linkar seu texto e é provável que isto melhore a sua classificação nos mecanismos de busca. Assim, de blog em blog, de link em link, o Darwinismo digital se encarregará de garantir que as boas idéias apareçam mais que as más idéias.
Esta é a diferença sutil do caso Estadão: a mídia impressa tradicional recorre às fábricas de falácias a fim de convencer a grande massa. A mídia on-line da blogosfera recorre à espontaneidade para promover o boca-a-boca virtual.
Nós blogamos e esperamos que as pessoas, ao aprovar o que dissemos, passem isto para frente. Eles pagam especialistas para criar uma mensagem que na maioria das vezes não é o que parece. Além disso, aqui as pessoas podem discutir para finalmente encontrar o que é realmente pertinente. E o mais legal disso tudo é que enquanto eles devem ter desembolsado uma nota pela campanha, nós blogamos de pijamas do conforto das nossas casas. Afinal de contas, o conteúdo é mais importante que a embalagem.
P.S.: Como aqui não tem filtro e nem censura eu posso dizer que, graças à mídia on-line, o Estadão só me faria falta num banheiro publico sem papel higiênico.
UPDATE: De certa forma parece que o Estadão reconheceu que a blogosfera não pode ser ignorada. Por isto acontece hoje um debate entre jornalistas e blogueiros sobre o assunto.
Popularity: 41% [?]

“Darwinismo digital”, concordo plenamente. O mundo mudou as pessoas mudaram, as tradições mudam… Novos paradigmas da comunicação estão ai para demonstrar que a mudança é necessária. O “Estadão” é quem deve abrir a mente. Propagar preconceito é vergonhoso.
Que venham os posts de pijamas!
[...] O Estadão e a Fábrica de Falácias [...]
[...] criticado e corrigido por outras pessoas que provavelmente possuem algo a agregar. E como eu disse neste outro post “de blog em blog, de link em link, o Darwinismo digital se encarregará de garantir que as boas [...]