Sem medo de criticar para o bem da blogosfera
Há algum tempo atrás eu fiz um post no blog da DClick que trazia uma critica aos exemplos de programas desenvolvidos por uma determinada pessoa conhecida na comunidade do Adobe Flex. Foi de longe o post mais comentado no Blog da DClick e eu foi sincero quando disse que o objetivo era iniciar um debate do qual a comunidade poderia se beneficiar. Mas o que eu vi acontecer me leva a questionar se nós estamos preparados para este tipo de debate.
Se você é daqueles que se interessa um pouquinho por filosofia você já deve ter ouvido falar em dialética. Falando de uma maneira resumida, a dialética era vista na Grécia antiga como “a arte do diálogo, da contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias (Wikipedia)”. Naquele tempo os filósofos se encontravam em praça publica ou nos mercados para esta prática, porém, nos dias de hoje, podemos fazer isso numa escala infinitamente superior através da internet. Mas se por um lado hoje nós temos a tecnologia, por outro, não temos mais a prática da argumentação.
Creio que grande parte da dificuldade que as pessoas têm com a argumentação é fruto da dificuldade que elas têm com relação à crítica. Muitas pessoas não sabem fazer críticas, outras têm medo de fazer e outras não sabem receber. E mesmo nos casos daqueles que tentam iniciar um bom debate é raro encontrar um que não se desdobre em meras opiniões baseadas em gostos pessoas tais como muitos dos debates sobre qual é a melhor linguagem de programação que vemos na Internet. Em muitos destes debates não se diz “Esta linguagem é melhor por causa disto e disto”, mas sim “Eu gosto mais disso ou daquilo”. Oras, se todos sabem que “gosto” não se discute por que ainda insistem em debater em cima do “gosto”?
Devo reconhecer, contudo, que o problema da argumentação na Internet não chega a ser surpreendente num país onde o método de ensino decoreba ainda reina absoluto, totalmente contrário ao que dizia Kant sobre Ensinar a Pensar. Neste sentido, como a maioria das pessoas passa sua infância, adolescência e início da vida adulta como consumidor passivo de conteúdo, como a escola ensina, não é surpresa que na Internet elas tenham a mesma atitude.
Enfim, eu gostaria muito de ver o confronto em alto nível de idéias permeando a blogosfera. Creio que o potencial de valor agregado caso isso seja bem feito é enorme. É como se a dialética voltasse a ter grande importância em tempos de Internet. Mas para que isso aconteça às pessoas precisam aprender a criticar e serem criticadas.
Em minha opinião um post deveria ser só o inicio de uma conversação que ecoaria pela blogosfera em comentários e outros posts que juntos formariam finalmente um conteúdo mais confiável. Uma coisa é você ler o que eu escrevo, outra é você ler o que eu escrevo avaliado, criticado e corrigido por outras pessoas que provavelmente possuem algo a agregar. E como eu disse neste outro post “de blog em blog, de link em link, o Darwinismo digital se encarregará de garantir que as boas idéias apareçam mais que as más idéias”.
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