O lado bom de ignorar TI
Nos últimos tempos eu tive a oportunidade de participar de um projeto onde grande parte das funcionalidades do software foi definida por uma pessoa de negócios. Isto é um tanto comum nas empresas, mas parte interessante é que isto foi feito sem contar muito com o apoio de TI. Ou seja, o analista de negócios não levou muito em consideração a parte técnica. Você provavelmente já deve estar imaginando os problemas dessa abordagem. Mas embora a dificuldade de implementar todas as idéias propostas pelo Analista de Negócios tenha tido impacto no prazo do projeto, no final, o resultado foi excelente.
Logo que começaram a ver as propostas das funcionalidades e de interface de usuário feitas pelo Analista de Negócios juntamente com o Designer de Interfaces, o pessoal de TI teve a postura típica: “Isto é impossível de se fazer”. Mas ao invés de simplesmente bater o pé, eles foram em busca de soluções para aquelas propostas. É verdade que algumas funcionalidades se mostraram realmente impraticáveis, mas grande parte delas foram resolvidas.
Isto me leva a pensar que, guardadas devidas proporções, um conflito entre as diferentes expertises num projeto de desenvolvimento de software é sim bem vindo. Dessa forma o pessoal de TI deveria limitar menos o pessoal de negócios e os programadores deveriam limitar menos os designers. Acredito que cada uma das expertises deva sim “invadir” um pedaço pequeno da outra, porém sem entrar no detalhe. Em outras palavras, ajuda um Analista de Negócios conhecer um pouco de TI, ajuda um Designer conhecer um pouco de programação, e assim por diante. Mas que seja só um pouco mesmo. Um analista de negócios, por exemplo, que conheça muito TI talvez se preocupe muito mais com a parte técnica do que com a solução de negócios. Mas ao manter um nível de conhecimento adequado daquela área que não é a sua podem ser impostos verdadeiros desafios que se por um lado assustam no inicio, por outro podem levar a resultados muito bons.
Se o analista de negócios tivesse consultado o pessoal de TI ele provavelmente acabaria com mais um software que poderia sim ser desenvolvido mais rápido, mas que não atenderia realmente o usuário. Acabaria por ser mais um dos muitos softwares que as pessoas usam por obrigação e não porque resolvem bem o seu problema do dia-a-dia. A vantagem de não consultar o pessoal técnico neste caso foi não ficar limitado a prováveis, mas nem sempre reais problemas técnicos. Acredito que isso acontece com mais freqüência do que podemos imaginar. Neste sentido, uma área de TI que foi criada para ser suporte a soluções reais de negócio mais criam problemas do que trazem soluções. Isto é com certeza um negócio para se pensar.
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