Estudar para que no Brasil (Parte II)?
Hoje pela manha eu vi uma reportagem na TV que tentava compreender os motivos desse desempenho vergonhoso para o nosso país. Vergonhoso para quem preza a educação é claro, mas eu duvido que a maioria da população esteja preocupada com isso. Agora, se o Brasil estivesse fora da Copa do Mundo isso seria manchete e assunto para discussão em qualquer esquina do Oiapoque ao Chuí. Mas deixando o futebol de lado, quais seriam os outros motivos para a educação no Brasil ser tão ruim? Alguns dizem que é o salário dos professores. Bem, eu não sou nenhum pesquisador e, conseqüentemente, não disponho de dados para tecer uma opinião nesse sentido. Mas eu já fui estudante e como tal eu posso falar por mim.
O que mais me incomodava na época da escola era não compreender por que eu tinha que estudar. Para que serviria uma formula de Bhaskara? Para que serviria a Análise Sintática? Para que se preocupar com o passado, com a História do Brasil? Enfim, eu queria uma motivação. E não me motivava nem um pouco os meus pais me falarem que eu tinha que estudar para conseguir um bom emprego. Talvez também pelo fato de eu ignorar o dinheiro como eu mostrei neste outro post. Mas a verdade é que eu só fui ter prazer pelo estudo quanto eu encontrei a informática. Eu não tinha computador na época em que eu comecei a fazer Colegial Técnico em Processamento de Dados e por isso eu ia (por vontade própria) todos os sábados para a escola digitar os programas em Clipper que eu ficava fazendo no papel durante a semana.
Para ser mais exato, exceto quando eu encontrei a Informática, eu só tive prazer pelo estudo quando eu tive bons professores. Hoje eu penso que uma matéria a princípio chata para você pode se tornar muito interessante com um bom professor. O problema é que o contrário é o que acontece na maioria das vezes. Na faculdade de Ciência da Computação o meu professor de Inteligência Artificial conseguiu jogar um balde de água fria na matéria que eu tinha a maior expectativa. A aula dele era tão desmotivante que quase ninguém ficava na sala as sextas-feiras à noite. Além disso, eu saí da faculdade achando que Orientação a Objetos era perda de tempo, mas graças a esse livro (não se deixe enganar pelo nome) eu aprendi em uma semana o que não aprendi em quatro anos.
Desta forma, é por experiência própria que eu penso que se o professor não consegue passar tudo aquilo que ele precisa para o aluno, ele deve, no mínimo, fazer o marketing da sua matéria. O professor deve mostrar para o aluno o porquê aquilo é importante. Quando ele consegue isso o aluno começa a retribuir, prestanto mais atenção na aula e indo buscar mais informação por conta própria. Eu nunca gostei muito de matemática, mas o meu professor da faculdade passava tanto entusiasmo nas suas aulas que eu comecei a enxergar a beleza que só os matemáticos são capazes de enxergar. Isso me leva a pensar também que aquele sim era um professor por vocação. O que eu acredito que acontece na maioria dos casos é que as pessoas acabam se tornando professores por inúmeros outros fatores, exceto o amor por ensinar. Isso é um tanto contraditório se, com dizem, os professores ganham tão mal. Mas eu ainda acredito que o comodismo e, muitas vezes, por não se adequar ao meio coorporativo (que tem sim muitos problemas) muitas pessoas acabam sendo “empurradas” para o meio acadêmico. Enfim, seja lá qual for o motivo o fato é que em minha opinião faltam muitos professores por vocação no Brasil.
Hoje eu não sou mais como antigamente. Mas receio que nem todo mundo terá a sorte que eu tive de enxergar as mesmas coisas que me fizeram mudar e passar a amar os estudos. Pior, nossas crianças ainda precisam perder a vergonha de gostar de estudar. Se quisermos um país melhor não podemos correr o risco de que as pessoas aprendam ter amor pelos estudos sozinhas. Devemos estimular isso. E para isso os brasileiros devem deixar de se importar apenas como novelas e futebol. O problema não é ver isso, o problema é ver apenas isso. O brasileiro também precisa deixar de aceitar o regime da Roma antiga que impera no país. Naqueles tempos, o imperador deixava o povo sem comida em sem educação e dava uma “festa” de gladiadores para fazer o povo feliz. Assim é no Brasil, onde não temos uma vida digna, mas temos carnaval todos os anos e a seleção é Penta. Acorda Brasil!
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Excelente texto Novaes, é exatamente professores como descrito em seu post que vemos nas faculdades federais do Brasil, eu que faço tec. Sistemas de Telecomunicações na UTFPR fico indignado como um professor consegue transformar uma matéria super interessante em algo tão massivo e insignifiativo para o aluno. Talves pelo fato do professor ser concursado, que este torna-se um agente passivo em sua missão, de ensinar. Claro que há professores que exercem seu trabalho com amor, e dedicação em sua vida acadêmica, mas os professores que não estão “nem aí” para o aluno podem estragar dificultar, e muito, a vida na faculdade.
O que acontece no Brasil é a falta de preocupação com a qualidade, tanto do ensino, quanto da cultura de educar. Temos crianças super-dotadas que são impossibilitadas de ingressar na faculdade somente por causa da idade, atrasando-a e limitando seu dom.
Mas e daí, como vc disse, somos penta, e isso não interessa no país do futebol-arte!
Gostei muito das suas opiniões, mas creio que os maiores culpados pela educação caótica no Brasil, sem sombra de dúvida, são os nossos magníficos governantes, em 2003 houve uma pesquisa simplesmente o Brasil ficou em terceiro lugar, na colocação dos professores mais mau pagos do MUNDO, como um profissional deve ficar estimulado com tamanho desprezo pelo sua classe, hoje o professor é sinônimo de palhaço, um professor que possua DOUTORADO ganha bem dizer o mesmo que um agente da policial federal, que para exercer tal cargo basta ter apenas o ensino médio e se submeter a um concurso, simplesmente uma afronta aos professores.
Nem preciso citar os professores de ensino médio e fundamental que o caso ainda é pior.
Ou seja, se quisermos mudar mesmo essa situação caótica de nossa educação, temos que mudar primeiro nossa política medíocre, suja, altamente corrupta que possue vários outros adjetivos que prefiro não citar.
olá…
Muito bom seu texto. eu também estou escrevendo sobre o sentido da educação para os educandos, dando enfase a estudantes soterapolitanos e gostaria de conversar mais com você sobre o tema …..preciso de muita ajuda…rsrsrsr obrigada se puder ajudar estarei esperando contato