Por que muitos gerentes são uns bostas?
Que tem muito gerente incompetente, assim como muitos “subordinados”, todo mundo já sabe. Mas, o que eu quero entender é o meio e não o fim. Quero entender é porque a maioria dos gerentes de TI são uns bostas. Ao contrário do que você pode pensar isto não é um desabafo. Já tive contato com muito gerente bosta, mas enquanto escrevo este texto não penso em nenhum deles. Na realidade o que me motiva escrever este texto é um receio que um dia eu jogue neste time. E porque isto também pode acontecer com você, tentarei criar um cenário que tenta explicar alguns dos motivos pelo qual isto acontece.
Tudo começa quando você decide fazer um curso de exatas. Você toma esta decisão porque odeia os assuntos relacionados a humanas. Você, provavelmente odeia ler e quando pega um livro vai direto aos exemplos. Você só quer ver código e acha que tudo mais além disso é desnecessário.
Os anos passam e agora você é um bacharel em Ciência da Computação que mesmo depois da faculdade continuou atuando de modo a aprimorar suas competências técnicas. As pessoas respeitam você como técnico e é notável como você se destaca no time. E justamente por estar acima da média, justamente por estar se destacando dos demais, a empresa decide que você merece reconhecimento. Então você se torna gerente.
Saem os Design Patterns, a OOP, o Refactoring e entra a liderança, a comunicação e a criatividade. Oras, isto tudo não teria mais a ver com humanas? Isto é justamente aquilo que você deixou de lado pois sabia que não tinha aptidão. Mas você não pode dizer não para esta proposta e deixar de ganhar mais do que você ganha como técnico, não é mesmo? Quem sabe você, além de ser um bom técnico, é um líder criativo que se comunica muito bem com as pessoas, não é mesmo?!
Bem, no início os seus subordinados respeitam você. Afinal de contas você conquistou este respeito enquanto você era um deles. Sempre que é preciso falar de coisas técnicas você ainda agrega muito à equipe. O problema é que você continua agregando valor muito mais como um técnico do que como um gerente. E quando surgem os primeiros problemas nos quais você deveria exercer sua capacidade de liderança você falha. Ao falhar repetidas vezes a equipe vai tendo a impressão de que você não faz nada como gerente.
Os anos passam e você não investe em aprender a ser um bom gerente porque os livros que falam disso são chatos: eles não tem código. Além do mais você odeia ler. Mas você acredita que chegou aonde está por méritos próprios e é muito orgulhoso para reconhecer que precisa recomeçar do zero. Também não lhe sobra tempo para se atualizar no mesmo ritmo que a sua equipe técnica evolui e aquele respeito que eles tinham por você desaparece. Neste momento você já não agrega valor nem como técnico nem como gerente. Então as pessoas começam a comentar pelos corredores que você de fato é um bosta que não sabe o que fala e que não faz nada.
Moral da história: ao te nomear como gerente a empresa não sabia que estava tomando uma decisão duplamente equivocada. A empresa não sabia que estava perdendo um excelente técnico e ganhando um péssimo gerente. Você é bom de exatas, mas agora ocupa um cargo onde saber resolver uma equação diferencial não faz a menor diferença.
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Beck, o “porque” os gerentes de TI são assim, ficou bastante claro, porém acho que faltou o “como” não se tornar um deles.
Pois lendo o artigo me transpareceu que não há alternativa, ficando a moral: “Se você é um cara de exatas, não se meta no mundo gerencial.”.
Mas tenho certeza que existe uma luz no fim do túnel, mesmo, hoje, não sabendo para qual direção caminhar na escuridão do túnel!
Abraços,
Igor Musardo
Seu comentário é muito pertinente Igor. Eu realmente não tive a intensão de deixar a impressão de que as pessoas de Exatas não podem ser bons gerentes. Acho apenas que se você considerar o cenário acima a tendência é esta da conclusão. Mas concordo que deve existir sim uma luz no fim do túnel.
[]’s
Beck Novaes
Beck,
Eu já passei pela experiência de começar a assumir a parte gerencial de uma equipe de desenvolvedores, da qual eu fazia parte, sem efetivamente ser hierarquicamente superior a ninguém.
Infelizmente não obtive sucesso na empreitada, pois alguns boicotes foram feitos a pontos da equipe não querer mais conversar comigo.
Dolorosamente descobri que tocar os meus projetos em andamento e a gerenciar os projetos dos colegas, inclusive cobrando quando o realizado cada vez mais se distanciava do planejado, era inviável e naturalmente fui abandonando essa posição, para tentar resgatar o contato com os colegas desenvolvedores e continuar sendo referência técnica na equipe.
Foram alguns meses para as coisas voltarem próximas ao que eram, mas ainda sinto que alguns me olham torto.
Em várias reflexões tentei chegar nos pontos que foram responsáveis pelo meu fracasso na empreitada. E embora tente argumentar que os fatores externos como a falta de apoio do gestor nas decisões tenha contribuído muito para o insucesso, tenho certeza que a minha completa falta de preparo para a posição de gestão foi o motivo chave.
Infelizmente aumentei a estatística do seu artigo.
Mas tem o lado bom que tirei desta experiência.
O tempo que fui deixando a programação de lado para assumir o lado gerencial, senti muita falta de desenvolver algoritmo e em contrapartida, cada dia na gestão, as horas me pareciam não passar, sofrí bastante.
Com isso decidi, vou crescer no lado técnico do Y.
Até quem sabe o amadurecimento chegue e a cabeça mude e volte a olhar com bons olhos a gestão de pessoas!
[]’s
Igor Musardo
Se a sinceridade e a humildade são importantes num líder de equipe, pelo seu “testemunho”, creio que não foi isto que lhe faltou. Só posso agradecer por agregar valor ao artigo com seu comentário.
[]’s
Beck Novaes
Oi Beck,
Como conversamos no almoço, gostaria de criar uma paradoxo por aqui e sugerir e leitura de dois livros. Não, eles não tem código (mas posso assegurar que não são chatos!). E sei que, ao contrário do cenário que você descreveu, você é um cara que gosta de ler!
O primeiro deles é Peopleware, um livro interessantíssimo sobre projetos e produtividade na indústria de desenvolvimento de software que começa provando que os projetos falham não por problemas de ordem tecnológico, e sim por problemas sociológicos. Há uma resenha dele no CFGigolo.com [1].
O segundo é First, Break All The Rules: What the World’s Greatest Managers Do Differently [2]. Além de um grande influenciador, também me auxiliou a comprovar e estruturar algumas coisas que eu sabia tacitamente apenas. O livro é baseada em horas e horas (e horas…) de entrevistas com trabalhadores afim de descrever o que os melhores gerentes fazem de diferente dos demais. Pequena surpresa: os comprovadamente melhores não agem como prega a sabedoria convencional e fazem coisas que a maioria das pessoas condenaria.
[1] http://www.cfgigolo.com/2007/06/resenha-peopleware-productive-projects-and-teams/
[2] http://www.amazon.com/First-Break-All-Rules-Differently/dp/0684852861
Um abraço,
Fabio Terracini
Fala Fábio,
O Peopleware está na minha lista faz tempo. O segundo livro eu não conhecia. Difícil vai ser arrumar tempo para ler estes livros juntos com todos os outros que pretendo ler. Nestas horas eu sempre lembro do Matrix onde o NEO aprende Artes Marciais em minutos
[]’s
Beck Novaes
É o que o pessoal de metodologias ágeis costuma dizer: “Priorizar, priorizar! Qual feature mais vai fazer a diferença?”
[]s
Terracini
Beck,
Adorei seu artigo.
Vivencio algo muito semelhante, mas as avessas. Deve ser por isso que, para mim, o ‘plug-in’ faltante nos gerentes exemplificados pode ser adicionado quando existe o bom senso.
Com o bom senso, um gerente sem a experiência de lidar com pessoas pode, pelo menos, posiociona-lo de maneira a pensar no melhor para o outro, equipe e empresa. Se a equipe tiver o pensamento matemático como o do gerente, a fluxo de informação e tratamento é facilitado, proporcionando uma melhor relação.
qualidade no trabalho e ajuda-las a aprimorar suas funções.
Se o gerente aliar o conhecimento técnico, com o respeito que a equipe possui da época que ele ainda fazia parte dela, com o bom senso, acho que a experiência melhora a competência nesse novo cargo.
Ah, é! E os livros sobre liderança, como lidar com pessoas, como superar problemas dos funcionários e todos esses pensamentos de auto-ajuda empresarial são chatos mesmo! ^_^
[]’s
Já ví muitas situações assim acontecer. O funcionário é um excelente técnico. É rápido no que faz, faz com qualidade e entrega sempre no prazo. Ninguém tem reclamações do sujeito, a não ser sobre o fato de que ele não é muito sociavel e não gosta muito de conversar com os colegas, fazendo isso muitas vezes forçadamente.
Eis que a empresa, por algum motivo torpe, inconsequente, e pode-se dizer até irresponsável, resolve recompensar o sujeito que se destaca dos demais, na eficiência e qualidade técnica com o que?? o que?? Um cargo de gerente…
Ai é que todos os problemas começam. Notem que o sujeito não se destacou por ter qualidades de gerencia, liderança, gentileza e responsabilidade com as outras pessoas. Muito pelo contrário…
Mas tudo bem… afinal de contas no trabalho dele agora não será preciso incentivar pessoas, incentivar trabalho de qualidade, gerar empatia entre a equipe, inovar e mais do que dizer o que os outros tem que fazer.. dizer o que eles não devem fazer(não se omitir). O trabalho dele agora é só controlar cronogramas….ganhando um punhado de sal maior para isso é claro…
No final das contas, fico eu com meus botões me perguntando onde e quando foi que a empresa esqueceu que PERDEU um excelente técnico e ganhou um gerente meia boca, omisso e extressado.
PS.: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
Abs,
:-), Agora que ví que, na verdade, fiz um resumão do seu texto no meu ultimo comentário, beck!
A história que contei (ou resumi, rs) aconteceu exatamente assim. Isso mostra como esse processo tende a se repetir.
Na minha opinião isso acontece por causa da resposta da seguinte pergunta:
Vocês conhecem algum técnico que ganha mais do que o seu gerente?
Eu não conheço, o máximo que já vi foi ter o mesmo salario. Então, resumindo, para ganhar mais o individuo naturalemnte se arrisca a ser gerente e começa a trabalhar naquilo que não gosta ou que não tem aptidão… Lamentavel… Mas… é a vida.
Eu acho que se tivessemos uma hierarquia bem clara nas empresas o qual o cargo de gerente é para um tipo de formação e o cargo de técnico é para outro tipo de formação e o salario de ambos os cargos possuem uma evolução desacoplada, não teriamos tantos gerentes “bostas”. Muitos chamam isso de carreira Y, mas nunca tive a felicidade de realmente ver um caso desse numa empresa no Brasil.
Olá Beck! Lendo seu post fiquei tão impressionado com sua visão q resolvi postar um comentário.
1º vou comentar o motivo de tudo isso, e falo por experiência.
Quem opta por exata, geralmente é aquele kra na dele, de pouca conversa, observador e muito detalhista.
Conseqüentemente, qdo está iniciando sua carreira técnica, louco por exemplos, tutoriais, a única coisa q ele conhece é o google, e qdo possui recursos, livros, apostilas, …, ele ñ pede auxilio para alguém + experiente, e qdo pede corre o risco de ser totalmente ou “floridamente” ignorado, porque o kra q ele foi pedir auxílio é d exata também, é 1 técnico e, na maioria das vezes do tipo q ñ gosta ou ñ sabe ensinar, por motivos q ñ vou entrar em detalhes.
Qdo ele chega ao destino almejado, está calejado, por ter q se virar, moldado e destinado a ser igual a aqueles a quem foi pedir auxílio.
Durante seu percurso não desenvolveu a habilidade de se relacionar, de se comunicar e de servir (ñ estou falando de bares e churrascos).
Então se vc está preste a se tornar 1 gerente, pergunte a si mesmo: Eu gosto de ensinar? Devo passar o q sei sem medo ou receio? Vou realmente ajudar sendo q ninguém me ajudou, tive q me virar?
Lembrem-se quem foi e sempre será o maior de todos os líderes de todos os tempos, passado, presente e futuro: Jesus Cristo, e há uma resposta muito simples do porque:
Sei q muitos ficarão irados com meu comentário, oq também é uma prova doq estou “dizendo”.
E se leu até aqui e ainda ñ acredita, fica aqui minha pergunta.
Qual kra, de exatas, q possui uma larga capacidade, e q gosta de perder tempo com estagiário, iniciante, novato?
Sem mais!!
JC veio ENSINAR e SERVIR.
Complementando a resposta q ñ saiu.
Parágrafo 8.