Por que tem tanta porcaria sendo desenvolvida para o IPhone?
Uma empresa de desenvolvimento de Software comum desenvolver para o IPhone é como uma empresa de Games comum desenvolver para o Wii. Implica em novos desafios, novas restrições, novos limites. Entender o que são estas variáveis é fundamental para fazer boas aplicações para o celular da Apple.
Já vi diversas matérias dizendo que a maioria das empresas de games ainda não ganham dinheiro com o Wii porque elas não sabem desenvolver games para o Wii tão bem quanto a Nintendo. De fato, os maiores sucesso do Wii são da Nintendo: Wii Sports, Mario Galaxy, Wii Fit, etc. Não que vá acontecer algo parecido com o IPhone, mas tenho a tendência de pensar que assim como as empresas de Games muitas empresas que desenvolvem para o IPhone não sacaram bem como tirar proveito das novas funcionalidades do aparelho.
Creio que para um software fazer sucesso com o IPhone ele deve, além de resolver um problema prático, fazê-lo de forma de nenhum outro fez tirando proveito dos novos padrões de interação que o Touch-Screen/Multi-Touch permite.
Imaginem, por exemplo, uma aplicação que lhe permite tirar uma foto de um cartão de visita e cria um novo contato no IPhone. Aí alguém vai dizer: “mas isso já existe”. Aí eu vou dizer: “Existe mas não funciona direito. Por isso não faz sucesso de verdade.”
Uma aplicação assim implica tem 2 problemas básicos para serem solucionados:
1. Reconhecimento de caracteres
2. Detecção de padrões para Nomes Próprios, Nomes de Empresas, Endereços, etc.
O primeiro problema é simples entender e o IPhone também precisa resolvê-lo. Já o segundo, diz respeito a você ter que desenvolver um algoritmo capaz identificar num cartão de visitas o que é o nome, o que é o endereço, o que é o telefone, etc. E isso também não é um problema simples. Mas vejamos, como o IPhone poderia eliminar este problema graças ao touch-screen? Simples: poderia ter uma interface de usuário fácil de usar com um botão para nome, um para endereço e um para telefone. Assim, o usuário poderia selecionar o botão nome, passar o dedo por cima do nome e assim por diante até que o IPhone soubesse o que é o que no cartão. Feito isso, o único problema é o reconhecimento de caracteres. Ou seja, além de resolver um problema prático, graças aos novos padrões de interação podemos eliminar uma das restrições para o desenvolvimento de uma aplicação deste tipo. Bingo! Inovamos!
Por que o IPod domina do mercado de MP3 Players? Porque é o melhor! Porque ele resolveu o problema de uma maneira que nenhum outro havia feito. Vide: armazenar uma grande quantidade de músicas e permitir encontrá-las facilmente graças ao “Wheel” que as empresas da China copiam descaradamente nos MP4 e enganam muitos usuários que não entendem bem porque o “wheel” do IPod é tão bom. Assim, também não adianta só tirar proveiro do SDK e fazer as transições Default do IPhone para resolver o problema da navegação entre as telas. Você precisa também inovar e tirar proveito do touch-screen, do multi-touch, do arrastar com o dedo, do scroll inovador do IPhone e do Acelerômetro.
Tweet
Querido Beck,
Concordo 100%, o iPhone possui muitos recursos interessantes que precisam ser melhor explorados pelas empresas de software. Os arquitetos de informação e “user experience” precisam abrir suas mentes e considerarem os recursos de multitouch, acelerômetro e 3D, pois quando aplicados da forma correta proporcionam uma ótima experiência de uso. No WWDC08 vi muitos exemplos bacanas nesse sentido, mas por aqui acho que ainda vai demorar um pouco para as empresas se capacitarem e entenderem o real potencial do iPhone.
Tenho visto muitos websites brasileiros serem lançados em versão iPhone, sem nenhum padrão de navegação e interface, que é o mínimo que se espera. As agências apenas adaptam o conteúdo para o tamanho da tela do iPhone e lançam o site como se fosse a oitava maravilha do mundo.
Aqui na Livetouch, pensamos diferente. A cada novo projeto estudamos diversas possibilidades, sempre com foco em atingir a melhor experiência de uso possível. No caso da BM&FBOVESPA (www.bmfbovespa.com.br), por exemplo, tomamos o cuidado de seguir o guia de interface humana da Apple, de forma que a navegação é muito próxima a de uma aplicação nativa. Durante a fase de desenho da aplicação, desenvolvemos um protótipo em 3D, mas não foi aprovado por algumas razões. De qualquer forma, guardamos a idéia para uso futuro, quem sabe até numa aplicação nativa.
Em relação a sua idéia dos cartões de visita, acho totalmente válida (já existem Apps com princípios semelhantes, ex: WhatTheFont). Para mim o grande desafio é tornar a aplicação simples e rápida para o usuário final, pois ninguém quer perder cinco minutos para digitalizar um cartão.
Quando a versão beta estiver pronta me mandar para eu testar, ok?
Soluções como a Unity 3D iPhone vão acelerar muito o mercado de games e aplicações interativas neste ano. Eu acredito fortemente no que foi dito neste post. É preciso quebrar as barreiras do que já é tríval. Inovar é um fato muito simples, basta juntar as idéias e não ter medo de arriscar. Por exemplo pq não utilizar o iPhone como uma raquete para jogar frescobol, opa! Estou falando como bolinhas de verdade, hein? E porque não juntar os óculos 3d igual aqueles do velho Master Syster e ciar uma aplicação que os objetos “pulam” da telinha. E as possibilidades de mercado, no lugar de vender/alugar o produto, poderia estar vendendo a iBolinha, iRaquete, iÔculos3D e diversos outros produtos deste iEcossistema.