Nem o Google acredita mais no W3C

Primeiro era apenas o Flash. E os puristas da Web, sonhadores utópicos da Web 100% Semântica, viviam malhando as empresas que usavam Flash, dizendo que ele era proprietário e tudo deveria ser feito seguindo os padrões que chegaram ao nirvana ao passar pelo mais severo julgamento do W3C.

Mas como não poderia deixar de ser o caminho para o paraíso dos padrões Web é longo demais. Agora, não apenas a Adobe mas também a Microsoft (Silverlight) e o próprio Google (quem diria???) não querem mais esperar pelo seu pedacinho do céu. Quem quiser inovar, não pode ficar esperando pelo W3C. Um passo atrás no que diz respeito à padronização, mas quem disse que para o mundo evoluir ele precisa ser padronizado? Você conhece alguma coisa realmente boa que seja toda “certinha”? Oras, a internet só evoluiu desta forma porque ela não é perfeita. Ela é livre. É democrática. É aberta.

É verdade que teríamos muito a ganhar com uma Web totalmente padronizada. Mas levando em consideração o custo desta padronização parece que as empresas perceberam que mais vale ir atrás da inovação. Num certo sentido podemos dizer que o W3C “freou” a Web durante algum tempo, mas parece que daqui para frente veremos coisas realmente impressionantes surgirem graças as iniciativas digamos… “proprietárias” (palavra terminantemente proibida nos templos do Mundo do Software 100% livre).

Os fiéis dos Padrões Web, que muitas vezes também são seguidores da ceita Software 100% Livre, só precisam entender que a sua religião não é necessariamente melhor que as outras. A iniciativa privada sempre alavancou a evolução tecnológica e justamente pelo fato da Web ser democrática isto vai continuar acontecendo. Ao invés de eu me preocupar se vou ficar sob o controle do Google, da Microsoft ou da Adobe eu vou é mais procurar fazer parte da festa. Aos fiéis, resta rezar esperando que o mundo um dia se veja livre destes pobres pecadores que não seguem a risca os mandamentos do mundo do Software 100% Livre e da Web 100% semântica.

OBS.: O Objetivo desta crítica não é pender para um lado nem para o outro. Eu acredito na Web Semântica, mas não 100%. Eu acredito no Software Livre, mas não 100%. Eu acredito em iniciativas proprietárias, mas não 100%. Todo radicalismo é contraditório ao bom senso.

5 Comentários to “Nem o Google acredita mais no W3C”

  1. :Doug disse:

    Concordo, todo radicalismo é contraditório ao bom senso.

  2. (2) Concordo, todo radicalismo é contraditório ao bom senso.

  3. Giorgio disse:

    Concordo em partes. Há uma linha de pesquisa, onde inovar pode resultar em algo fora do padrão. Porém, mesmo tendo algo inovador, tudo se sustenta em cima de padrões… Se não houvessem padrões, para fazer uma animação, por exemplo, teriamos que primeiramente projetar um circuito novo, um processador e etc.
    A W3C padroniza o que já foi algo novo e fora do padrão. Não consigo vê-la como um freio da Web, pois se metade das especificações fossem implementadas pelos browsers, e outros sistemas que usam protocolos Web, avançaríamos algumas décadas.
    E é muito mais prático abstrair certas detalhes utilizando padrões, e partir de uma visão mais ampla para criar algo novo.

  4. Beck Novaes disse:

    Olá Giorgio,

    Bem, só acho que ao longo dos anos o processo do W3C se mostrou um tanto lento demais. A tecnologia nos últimos anos tem demandado um dinamismo muito maior do que o W3C sozinho como orgão regulador de padrões de Internet foi capaz de dar vazão. Isto já aconteceu uma vez quando as empresas começaram a lançar funcionalidades exclusivas para seus browsers (I.E. e Netscape) e parece que está acontecendo novamente. Resta saber se isto será uma tendência onde as ondas vêm e vão alavancando inovação e prejudicando padronização ou se haverá um corte onde este “padrão histórico” não se repetirá mais.

  5. Reiny disse:

    O W3C e irritantemente lento, as vezes tenho a sensação que são doutores virtuosos, extremamente tecnicos e nen um pouco empreendedores!

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