Flex for Kids

O usuário que se foda!

Minha filosofia: mais importante do que saber o que implementar é saber o que não implementar para não perder tempo. Se eu entendo que têm coisas que raramente acontecem eu deixo pra lá. Quando acontecer? O usuário que se foda!

Não que eu não me importe com o usuário. Muito pelo contrário. Eu só deixo de fazer estas coisas que acontecem raramente para focar em coisas que acontecem com freqüência. No fundo, estou pensando em atender o usuário na maioria dos casos – o que realmente vai fazer diferença para ele no seu dia-a-dia. Não existe o Software perfeito e o usuário vai me xingar de qualquer forma. Mas não vai xingar a maior parte do tempo (porque a app ficou ruim pois perdi tempo desenvolvendo para a exceção). Ela vai me xingar só na hora da exceção.

O problema? O pessoal de TI vive desenvolvendo software para a exceção sem ao menos questionar a importância da exceção. Mas a exceção adiciona complexidade ao Software em todos os sentidos. Você vai levar mais tempo para fazer e muitas vezes vai ter uma usabilidade ruim para os casos que não são exceção… ou seja, para a maioria dos casos, justamente onde a usabilidade deveria ser boa. Neste caso, se você tiver mesmo que tratar a exceção faça isto a parte. Não prejudique 99% da usabilidade do seu software por causa do 1%. Se a usabilidade tiver que ficar ruim que fique no caso do 1%. Enfim, trate exceção como exceção, ou melhor, não trate… acredide, muitas vezes você não precisava lê-lo feito.

Pense nos Softwares que vocês usam. Quantas vezes não conseguimos fazer determinadas coisas? Isto é a Apple e a Microsoft falando “foda-se!” para nós usuários. Eles também não tratam todas as exceções. Por que nós, pobres mortais, temos esta ficção nisto? A minha dica é: Mesmo que o usuário bata o pé, se você estiver confiante que não precisa tente postergar. Deixe para fazer por ultimo. No meio do caminho faça coisas bem melhores, coisas que vão desviar a atenção dele. Acredite, lá no final o usuário não vai nem lembrar daquelas besteiras que ele pensava que eram importantes.

12 Comentários to “O usuário que se foda!”

  1. Ved disse:

    KISS – Keep It Simple, Stupid! Muito bom, Beck!

  2. Fabiano disse:

    Perfect. Beck Win.

  3. Realmente a mentalidade é correta, aliás, corretíssima, porém levemente utópica. Na prática, enfiar isto na cabeça do cliente (que está lhe pagando para desenvolver SUA ferramenta)é mais difícil que acertar uma interface complexa prá IE6. Rsrs… Cliente é tudo igual, sempre metem o bedelho onde não devem, e são fanáticos por tratar as excessões como o foco do desenvolvimento.

  4. Erich Kist disse:

    Concordo com não perder a usabilidade de 99% do projeto por causa de 1%.

    Mas como Moisés comentou infelizmente o cliente as vezes não consegue visualizar a situação e quer que este 1% seja feito. As vezes ele só conseguirá visualizar a situação da perda quando estiver usando mesmo o sistema.

    O que ocorre também muito hoje em dia é o comodismo existente no cliente que faz com que queira soluções parecidas com coisas que já possuem.
    Por exemplo: a empresa controla o caixa e estoque em um excel e quando decide fazer um sistema para isto quer que tudo fique igual, mesmo o sistema sendo muito mais fácil ou direto para sua necessidade. Ele não quer aprender algo novo.

    Concordo que o usuário/cliente do 1% se exploda neste momento, mas as vezes temos que ceder por necessidades da empresa de manter seus gastos.

  5. Beck Novaes disse:

    Diz a lenda que um escultor famoso fez uma estátua a pedido de um Rei. E ele fez uma estátua realmente muito bonita. Mas, ao apresentar o seu trabalho para o Rei, este disse. – Ficou muito bom. Só não gostei do Nariz. Então o artista voltou para casa, deixou a estátua no armário durante três semanas, e voltou para apresentar a estátua para o Rei, sem nenhuma modificação. Desta vez o rei disse. – Agora sim! Está perfeito!

    Moral da história. O cliente quer sempre dar o seu toque no trabalho que ele encomenda. Isso é psicológico! Eu, muitas vezes finjo que ouço e não faço. Mas só faço isso porque depois eu chego com coisas tão melhores (porque foquei na coisa certa) que ele nem lembra daquelas besteiras que iriam consumir todo o meu tempo no projeto.

    Como diria Steve Jobs: Nunca ouça seus clientes! Eles não sabem o que querem.

  6. Varjão disse:

    Isso ai Beck, apoiado!

  7. Ricardo Ramires disse:

    Isso me lembra quando eu dava aula de Flash e vinham desenvolvedores das agências praticamente forçados pelos chefes para o curso e torciam o nariz para muita coisa, onde eu usava um exemplo utópico mas necessário:

    Não importa se o servidor das sua loja virtual for um 486 rodando linux e imprimir o pedido em uma matricial LX 810, ou o ultra mega servidor de U$ 100.000,00 banco de dados Oracle, proteção contra terremotos, etc…
    O usuário não vai ver isso e sim a interface que vc desenhou e desenvolveu. Ele quer comprar num ambiente bacana, fácil de utilizar e que o produto chegue na data prevista.

    ;-)

  8. Concordo. Só mudaria pra “as exceções que se fodam” =)
    No aplicativos do Office 2007, geralmente fazem esse trade-off bem (depois que passaram a usar o Ribbon), usando o padrão de exibição progressiva (progressive disclosure)… As funcionalidades mais usadas tão logo na cara, enquanto as menos usadas ficam mais escondidas. Pra imprimir “normalmente”, é pá pum. Já pra imprimir com orientação Paisagem, com 2 páginas por folha, nos 2 lados e em folha A3, é mais trabalhoso e demorado. Se fosse apresentar todas essas funcionalidades (que são exceções) logo de cara, atrapalharia o desempenho da tarefa mais frequente, que é o imprimir “normalmente”.

  9. Concordo! O próprio Google é um bom exemplo, seus serviços sempre começam em beta, com foco no que mais importa e, aos poucos, evoluem as funcionalidades.

  10. Ricardo Silva disse:

    Ótimo post!

    Eu nunca havia pensado assim, sempre perdi muito tempo em frescuras dos clientes! De agora em diante começarei a avaliar melhor as solicitações e as exceções dos clientes!

    Valeu!

  11. mo:gui disse:

    Já tive um chefe assim, ele focava 100% do tempo no 1% da exceção… mas aí chega uma hora q vc pensa que trabalhar assim é pura perda de tempo. Esta é a filosofia de desenvolvimento de muitas empresas.
    Quando o foco final da empresa não é tecnologia, o que sobra é mostrar “efeitos mágicos e recursos inúteis” para a diretoria (que na sua maioria, não entendem nda e tudo é MUITO LEGAL!!!), o gerente de TI fala: o que importa é agradar o chefe e que se foda-se o resto. Agora preciso terminar mais um gráfico para meu chefe controlar o cafezinho, legal vou usar o SuperCoverFlowChartTweenResiZe!!!!!

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