A questão não é só o Flash, mas o propósito da Adobe

Eu comecei a trabalhar com a Plataforma Flash porque naquela época ela me permitia criar melhores experiências, e não porque “era mais fácil”. Na época da Macromedia o propósito era claro: Experience Matters. Lembram? A o alvo da experiência na época da Macromedia era o usuário final.

Mas acho que com a Adobe isso mudou, principalmente agora que eles estão aos poucos desistindo do Flash Player. Não parece que propósito da Adobe é criar melhores as experiências para os usuários finais, mas sim para os desenvolvedores. A eterna promessa de fazer um único código e ter em vários devices (coisa que a Sun tentou no passado com o Java) é algo que chama muito a atenção do pessoal técnico (tornaria nossa vida bem mais fácil, não é mesmo?). Mas justamente por não ser nativo, eu particularmente não acredito que este tipo de aplicativo oferecerá a melhor experiência ao usuário (coisa que dependendo do caso nem sempre é preciso).

O que estou querendo dizer é que todo este debate (1, 2) não gira só em torno do Flash Player, mas sim em torno do propósito da Adobe. Quem acredita que finalmente o Write Once Run Everywhere será realidade continuará engajado no foco que a Adobe está dando para o Flex. Por outro lado, creio que os que buscam oferecer as melhores Experiências possíveis para o usuário final devem também aprender o Android Nativo, o iOS Nativo e o HTML5 puro (que é o verdadeiro Write Once Run Everywhere). E isto pode ou não ter relação com a questão “Para quê você faz Software?”.

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5 Comentários to “A questão não é só o Flash, mas o propósito da Adobe”

  1. Bruno disse:

    Parabens pelo artigo, mas vamos conversar: HTML5 puro (que é o verdadeiro Write Once Run Everywhere). Não acredito nisso, posso estar sendo radical demais, mas não acredito que os produtores de browser vão perder as vaidades e entregar realmente um produto unificado perfeitamente. Ainda teremos barreiras de fontes, imagens que não renderizam apropriadamente, elementos que fogem na tela. E quando focamos em alguns assuntos como IoC, herança e OOP, tambem buscamos o melhor produto para o cliente, que terá menos bugs e para quem solicita, gastar menos tempo corrigindo erros estupidos que são facilmente cometidos no javascript. Não importa a liguagem, já precisei escrever em assembly, não gostei, mas foi necessário. Se tiver requisiçao em HTML5 e for justificavel, será usado. Não sou evangelista de uma unica linguagem, e acredito que esse é o dever do Arquiteto de Software o que é diverente de escrevedor de código. #soudev

  2. Beck Novaes disse:

    Acho que você tem razão Bruno. Talvez eu tenha sido radical demais ao dizer que o HTML5 é o Write Once Run Everywhere.

    Na verdade o que eu acredito é que isso pode funcionar para coisas simples, mas dependendo da complexidade da app não rola. O que para mim também não é um problema pois numa visão de longo prazo acho que cada vez mais teremos apps nativas plugadas a internet e não rodando na Web. Sei que isso também é polemico e não adianta ficar debatendo, mas é apenas o meu ponto de vista.

    Mas só a título de curiosidade, vou passar um link de um artigo do Joe Hewitt, o criador do Firebug, iUI e que já trabalhou no Firefox e para o Facebook.

    http://joehewitt.com/2011/09/26/what-the-web-is-and-is-not

  3. Marcos Arruda disse:

    Belo post Beck. O proposito da Adobe com o WORE(AIR) é agradar os desenvolvedores, mas tem um objetivo maior na sequencia deste, qual seja, aumentar a base de devs da tecnologia e em decorrência disso, vender mais software. Muito bem lembrado que o HTML é o verdadeiro WORE. Isto porque ele sempre o foi, rs. Quanto tudo era hipertexto, na época inicial do IE, Netscape etc. Podia se dizer que html rodava em tudo que implementasse sua especificação. Hoje se surgem novos OSs e gadgets q ainda causam trabalho a mais para o dev ao implementar html, não é culpa da linguagem. Esses aparelhos, se ignorarem o html serão ignorados pelos usuários. Por isso ele é sim o verdadeiro write once run everywhere.

    Sobre não ser nativo e por esse motivo não oferecer uma boa experiência do usuário, discordo, pois acho que assim como o belo, a UX sempre busca um público alvo, dessa forma tentando interagir com o subjetivo do usuário. Se antigamente as pessoas se preocupavam em fazer software de acordo com o subjetivo, hoje o desafio é fazer software de acordo com o cérebro do usuário, rs. E por ai vai

    Abs

  4. Bruno disse:

    Parabéns pelas colocações!! Acredito que posso somar com mais uma visão da qual ainda não vejo uma boa resposta da Adobe.

    O principal anúncio da Adobe essa semana foi a descontinuação do FLASH PLAYER para mobile. Já era esperado pelo desenvolvedores que acompanham os lançamentos da Adobe. Estava claro que ela estava fortalecendo a sua presença no mundo MOBILE a partir do Adobe AIR e não com o Flash Player.

    Mas qualquer anúncio como esse, que gera uma cascata de mudanças, é uma excelente oportunidade para repensarmos. Você fez exatamente isso neste artigo, refletiu sobre a sua carreira profissional.

    Quero refletir sobre a posição de um empresário que adota algumas tecnologias como ferramenta na construção de produtos (sistemas).

    Trabalho num software relativamente grande mas complexo em regras de negócio. Trabalhando já a dois anos, temos uma projeção de amadurecimento e crescimento de mais 3 anos.

    Decidi utilizar o Adobe Flex como o grande diferencial front-end em 2008/2009 para entregar uma aplicação RIA em cada desktop do meus clientes. Fiz uma excelente escolha, acredito eu!

    Como parte do projeto fui contemplado novamente com a Adobe quando ela demonstrou predisposição no segundo semestre de 2010 para entrar no mundo mobile. E pude participar dos pré-releases esse ano (air 2.6, air 2.7), efetuar testes e saborear com a minha equipe um avanço tecnológico no projeto além de mais um diferencial: a entrega de alguns módulos do sistema para dispositivos móveis – iOS e Android – com uma única linguagem.

    Mas comecei a refletir a partir dos anúncios de hoje o que a Adobe tem feito NÃO SÓ ESSA SEMANA, MAS NOS ÚLTIMOS MESES:

    1. Qual é o FOCO HOJE da Adobe para o AIR? Mobile..hum..ok…

    2. E quais os planos do Flash Player HOJE pra desktop? Bom, sutilmente ela disse trabalhar na versão 12 de forma animada e que novos recursos e aprimoramentos serão feitos.

    3. Opa! Peraí…e o Flex SDK??? Quais os planos???? Na Adobe Max 2011 disseram: “novos componentes spark…tree, Tooltip, DateChooser, DateField, ViewStack, Accordion, Alert, TabNavigator…”.

    Mas uma demora para terminar essas melhorias….o Flex 4 foi lançado em 22 de março de 2010…e foi um lançamento as coxas me aparenta…como se fosse uma ponte de transição pra algo maior (houveram sim muitas mudanças, conceitos, mas mudanças inacabadas).

    Pouco mais de um ano e meio se passaram e a previsão de criação dos componentes spark é a única coisa clara que temos. O que mais teriamos de melhoria? Ontem num chat desses de twitter me lembro terem comentado como o AS3 poderia melhorar. Suportar genéricos, enums..

    Será que o caminho do Flash Player será comportar aplicações (comerciais) RIA como hoje em dia? Ou será um plug-in pra utilização específica como streamming, webcan, audio, animações 3d, games de navegador??

    Não me surpreenderia que a Adobe anunciasse daqui a 2 anos que o FLEX SDK (não estou dizendo FLASH PLAYER) teria continuidade somente para atender AIR para desktop (windows, mac) e mobile (android, iOS)…

    Ai com certeza seria um tiro no pé, ficaria ilhado como ficou (apesar de poucos – conforme estatística da adobe) os desenvolvedores de Adobe Air para linux. Eu teria um produto que não consegueria mais distribuir pelo browser.

    Essas incertezas geram um nuvem cinzenta que só terei respostas nos próximos dias ou meses: se devo mirar toda a força da equipe (custos, investimento, tempo) para uma aplicação HTML5 (talvez) ou se poderei continuar contando com a Adobe e o Flex SDK para browsers.

    Abraço!

  5. Beck Novaes disse:

    Muito bom seu ultimo comentário Bruno… ajuda todo mundo ter um panorama maior do cenário atual.

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