Wesave: A tentativa de mudar a maneira como as pessoas lidam com ofertas

Eu não acredito em todas as ofertas que vejo nas vitrines. Sempre que vejo uma calça de R$ 350,00 por R$ 120,00 eu tenho a impressão que não passa de um truque para chamar a atenção. Mas de tanto andar no Shopping Center com a minha esposa eu notei que ela sabe se a oferta é verdadeira ou não porque ela presta atenção nos preços. Ela sabe se algo que está com um preço menor estava com o preço maior na semana anterior. Mas quando ela não está ao meu lado não tenho segurança se a oferta é real ou não.

Há pouco mais de um ano atrás, lendo o livro The Tipping Point do Malcolm Gladwell, me chamou atenção a passagem que o autor comenta sobre pessoas que são boas em dar boas dicas para compras. Além disso, estas pessoas gostam e se sentem bem quando ajudam alguém a economizar dinheiro. Na hora lembrei da experiência que tenho nos Shopping Centers e então tive a idéia para fazer o Wesave. Num almoço com o Eduardo Horvath, André Gil e Bruno Fuster decidimos desenvolver este aplicativo nas nossas horas vagas.

A premissa básica do Wesave é que podemos confiar mais nas pessoas do que em alguns logistas “marketeiros”. Por isso no Wesave tudo gira em torno das pessoas. São as pessoas que cadastram ofertas (se bem que um logista também pode fazer) e através do perfil delas deve ser possível saber se elas são boas em dar dicas de ofertas ou não. Veja neste primeiro vídeo como isso funciona:

O Wesave é um destes aplicativos que embora simples tem bastante funcionalidade (tal como este outro que fazemos na DClick). Por isso gravar um vídeo assim é bem complicado. Eu esqueci, por exemplo, de mencionar algo bem importante sobre as ofertas: No Wesave as melhores ofertas aparecem no topo da lista. E como sabemos quais são as melhores ofertas? Bem, as melhores são aquelas que as pessoas “dizem que compraram”. Quanto mais as pessoas falarem que compraram algo maior será a quantidade de “foguinhos” e a oferta sobe na lista. Na verdade, se as pessoas derem um “Like (gostei)” na oferta isto também conta pontos para a oferta. Ou seja, tal como o Google o Wesave tem seu “Page Ranking”, pois nosso objetivo é mostrar as “melhores ofertas ao redor” e não apenas “qualquer oferta ao redor”.

Na mesma época que tive a idéia para o Wesave eu estava lendo bastante sobre Game Mechanics. Foi nesta época que também com o Eduardo Horvath e André Gil desevolvemos o Agon na DClick. Além disso o Foursquare já estava virando moda entre os meus amigos por isso achei que o Game Mechanics era uma boa maneira de manter as pessoas motivadas na utilização do Wesave, como pode ser visto neste segundo vídeo:

O Wesave é gratuito mas o aprendizado no desenvolvimento deste aplicativo não tem preço. Aprendemos não só sobre iOS e Google App Engine, mas também sobre Design, UX e, principalmente, como a idéia inicial evolui quando você trabalha como um time de verdade, que toma decisões em torno de um conjunto de princípios sob uma visão que se tem para um produto (o que eu imaginava para o Wesave mudou muito uma vez que o Eduardo Horvath, André Gil e Bruno Fuster contribuíram muito com suas próprias idéias).

Nos próximos posts sobre o Wesave aqui no blog pretendo mostrar como resolvemos muitos problemas de Design do aplicativo. Mas vale reforçar que estou falando de Design no sentido amplo da palavra.

A enorme distância entre a idéia e a execução

A Microsoft liberou um vídeo bacana sobre sua “Visão de Produtividade do futuro”.

A Microsoft é muito boa em criar este tipo de vídeo. Mas, como já comentei neste post, existe uma enorme distância entre a idéia e a execução.

Por exemplo, este outro vídeo mostra uma excelente idéia para Tablet.

Mas o vídeo já é antigo e enquanto isso a Apple foi lá e fez o iPad – que muitos copiam mas pelo menos a Amazon aposta no conteúdo.

Eu não estou dizendo que a Microsoft não tem capacidade de fazer as coisas acontecerem. Afinal de contas eles fizeram um excelente trabalho com o kinect. No entanto, nos últimos tempos a execução fica devendo bastante para estes excelentes vídeos que nos fazem sonhar.

Reforçando novamente o que eu tenho dito: muitos têm idéias, alguns implementam. Alguns implementam, poucos com excelência. Uma ideia sem execução é um espirito solitário e a execução sem uma boa ideia não tem alma, é vazia!

As TVs precisam realmente mudar

Se estes boatos sobre a TV da Apple se confirmarem, assim como no passado se confirmaram os boatos sobre o celular da Apple e o Tablet da Apple, pode vir aí uma grande revolução.

Eu, particularmente, já concordo há algum tempo que a TV precisa mudar radicalmente. Acho que não faz o menor sentido ter que se programar para assistir aquela série que vai passar tal dia e tal hora. Os tempos mudaram. Estamos em tempos de internet, tempos do conteúdo sob demanda. Acredito que apenas eventos ao vivo devem ter dia e hora marcados.


Graças ao Mac Mini e o Pirate Bay eu não preciso assistir Dexter com dia e hora marcada

E o que dizer dos malditos controles remotos? Quem me conhece há algum tempo sabe da minha birra com estes aparelhos bizarros em termos de Experiência do Usuário. Mas aí alguém pode dizer: mas eu não tenho problema algum com controles remotos! Vejamos: Quantos destes monstrengos você tem na sua casa? Quantas vezes você tem que ficar procurando? Você consegue usar no escuro? Quantas vezes por semana cai da sua mão? E porque que diabos todos eles são diferentes obrigando você a aprender a usar toda vez que compra um aparelho novo? Você tem um controle unificado de TV e DVD só que sua TV é de uma marca e o DVD de outra? E quando você coloca TV a cabo e fica com um controle GIGANTE da TV só para aumentar e abaixar o volume e tem que usar o controle mais bizarro de todos: o da NET?!


Em 5 minutos no meu local de trabalho veja quantos controles remoto eu encontrei. Aliás, alguém sabe usar o controle remoto do ar condicionado ou vocês são com eu que aperta todos os botões até chegar na temperatura que desejada?

E por falar na NET, se tem algo pior do que o hardware deles é o software. Aquele menu da NET é tão l-e-n-t-o que eu evito usar sempre que possível. Não seria melhor controlar sua TV pelo seu celular touch ou tablet?

Na minha casa tenho o DVD, o Modem da NET, o receptor da NET, o Roteador Wireless e um MAC Mini todos dentro do Rack da sala de estar. Eu me esforço bastante para deixar esta parafernália toda escondida, pois quando olho para aquilo tenho a impressão que estou numa espécie de laboratório de eletrônica! E olha que eu sou uma pessoa técnica, imaginem as pessoas não técnicas que são a maioria!

Enfim, se a TV da Apple se confirmar mesmo e oferecer a mesma experiência que seus outros produtos, vem aí uma revolução pois a inovação surge quando se percebe coisas ruins que as pessoas aceitam só porque estão acostumadas. Daí o “Pense Diferente”!

Minha primeira app para iPhone

Um projeto pessoal feito com o Andre Gil e o Eduardo Horvath trabalham comigo na DClick e o Bruno Fuster que trabalha no IG

Conheça mais sobre o Wesave na Fan Page no Facebook ou no Website do aplicativo.

Em breve farei mais alguns posts sobre este “mundo novo” de apps nativas para mobile.

Nada se cria, tudo se copia

Sempre que vemos coisas de sucesso temos a tendência de focar num ponto e julgar que é apenas aquilo o motivo do resultado. Por isso dizemos “Nossa, que ideia excelente!” ou “Nossa, isto foi muito bem feito!”. Ou seja, temos a tendência a sobrevalorizar ideia e execução de maneira isolada quando na verdade uma não é nada sem a outra. Uma ideia sem execução é um espirito solitário e a execução sem uma boa ideia não tem alma, é vazia!

Justamente pelo fato de atribuir o sucesso só à ideia é que muitas pessoas acham que as boas ideias são para poucos privilegiados. Eu não penso desta forma, pois acredito que no momento muita gente tem uma boa ideia (potencial) guardada na gaveta esperando sabe lá o que para ser executada.

Roubar uma ideia não é a mesma coisa que copiá-la. O primeiro caso pode exigir um grande esforço para aprimorar, já o segundo é apenas um trabalho “braçal”. E embora a palavra cópia sempre tenha sentido pejorativo, creio que a famosa frase “Nada se cria tudo se copia” é colocada em prática no nosso dia-a-dia mais do que podemos imaginar.

Quem rouba uma ideia executa de maneira diferente, ou até mesmo, pega a essência e adiciona novos elementos que fazem brilhar o seu real potencial. E por que eu não acho isso ruim? Porque, como disse no início, não acredito que a chave do sucesso é só uma boa ideia ou só uma boa execução. Muitos têm boas idéias, poucos executam. Poucos executam, quase ninguém com excelência.

Por outro lado, quem só copia as ideias não tem a capacidade de melhorar absolutamente nada. O foco da mudança de quem copia ideias é “maquiar” durante a execução só para não parecer tão descarado. O problema deste tipo de cópia é que ela não adiciona aprimoramento algum, não contribui com a evolução e por estar preocupado só em maquiar a idéia original muitas vezes se chega a um resultado inferior.

Quando falo de roubar ideias não me refiro apenas a você “falar algo” e alguém executar. De fato, você pode ter tido a ideia e executado de algum modo. Mas se alguém executar de outra forma e adicionar novos elementos que levou a um resultado superior eu diria que sua ideia foi roubada e não copiada. O que caracteriza o plágio é a cópia maquiada da execução e não a execução aprimorada da ideia.

Quem trabalha e gosta de tecnologia sabe que existem inúmeras histórias sobre “cópias” e “roubos” de ideias. Sob o meu ponto de vista ainda desprezo o primeiro, mas quem é capaz de fazer coisas melhores tem a minha admiração por aprimorar e o que antes era só uma boa ideia.

“Good artists copy, great artists steal.” – Pablo Picasso (Sim, esta frase é do Pablo Picasso e não do Steve Jobs)


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