Geração Touch Screen

Muitos já devem ter visto o vídeo abaixo, onde, para esta criança, o iPad é uma revista que não funciona.

Sei de um caso que, enquanto o pai ajustava algumas configurações da TV pelo controle remoto, através daqueles menus que aparecem nas TVs atualmente, sua filhinha se levantou, foi até a TV e ficou dando vários toques na tela na tentativa de fazer o menu sumir para poder assistir o desenho.

Eu ainda me surpreendo como estes aplicativos sociais são muito mais divertidos no Multi Touch. Tanto o Twitter quanto o Facebook no iPad nos oferecem uma experiência muito superior a do Desktop. Sobre este ultimo, estar conectado aos seus amigos ao mesmo tempo através de um dispositivo que cabe na sua mão e lhe dá tanto “poder” é viciante. Mas é preciso mexer para saber e se você ainda não teve a oportunidade de mexer no Facebook para iPad não existem palavras, imagens ou vídeos que lhe façam compreender.

Quando apresentou o iPad Steve Jobs disse: “Existiria espaço para um terceiro dispositivo? Algo que está entre o Smartphone e o Notebook? Sim, mas estes dispositivos tem que ser muito bons em determinadas tarefas, melhor que o Notebook e melhor que o Smartphone senão eles não têm razão de existir”.

Determinadas coisas sutis ou passam desapercebidas numa apresentação ou são vistas como marketing apenas. Mas eu acho que ele sabia mesmo do que estava falando, afinal de contas vídeos, emails, navegação na web, leitura de blogs e aplicativos sociais são infinitamente superiores no tablet.

Steve Jobs – The crazy one

Steven Paul Jobs (February 24, 1955 – October 5, 2011)

Para quem não sabe o texto é do comercial da Apple Abaixo:

Mais informações aqui na Wikipedia

O Tablet da Amazon aposta no conteúdo

Ufa, demorou mas parece que agora vai. Para usar a frase do meu amigo de trabalho Nelson: “o Kindle Fire é o killer dos iPad Killers“. Pois se ainda é cedo para dizer se ele é capaz de fazer frente ao iPad, creio que já podemos falar que é de longe o melhor concorrente que a Apple já teve. Se você pode comprar um iPad ou um Kindle Fire, para que você vai comprar outro? Só não me diga que é para ter uma câmera de 12827 mega-pixels!

Kindle Fire

O que me chama a atenção no tablet da Amazon é que finalmente alguém não focou nas especificações de Hardware como os únicos diferenciais. Sei que como “técnicos” muita gente gosta de encher a boca pra falar que tem um device com Dual Core, ou uma câmera de 12827 mega-pixels (a proposito, acho ridículo quando vejo alguém num evento ou ponto turistico qualquer tirando foto com um iPad). Mas para o usuário “comum” este jargão pouco importa. O que importa mesmo são aquelas duas palavrinhas que, infelizmente, já virou modinha: Experiência do Usuário.

O Kindle Fire tem uma proposta clara: conteúdo! E se isso já parece bom por motivos obvios, vou colocar outro ponto de vista que talvez passe desapercebido.

Confesso que há um tempo algo me incomoda. Tenho um monte de CDs, DVDs ocupando um espaço danado na minha casa. Você que lê este post provavelmente deve ter alguma temporada completa destes seriados de sucesso como Friends, House, Dexter, etc, que só assistiu uma vez na vida. Mas eu garanto que jogar fora você não vai. Por mais que você nunca mais veja estes seriados, nunca mais ouça as músicas dos seus CDs que já estão no seu iPod, ou nunca mais leia os livros da sua estante, uma coisa é fato: você não vai se desfazer destes objetos (ou se fizer fará com muita dor no coração). Eles já não são mais objetos de conteúdo. Agora eles têm duas outras funções: decorar o ambiente e contar a sua história. Você não se desfaz destes objetos porque está tão ligado a eles que é como se fizessem parte de você.

Mas se por um lado temos este apego, por outro, se pararmos para pensar bem, eles ocupam muito espaço desnecessariamente. Hoje em dia os lares são cada vez menores e não é incomum chegar uma hora que você para de adquirir estas coisas porque pensa que já tem muito na sua estante. Agora, imagine que você tem uma prateleira virtual onde você pode ver todos os seus CDs, Livros, Filmes, etc? Como não é físico não oculpa espaço. Sei que com um Tablet ainda perdemos a questão de ter estes objetos como parte da decoração, mas não descarto o dia em que teremos uma tela gigante Touch Screen, do tamanho de uma estante na sala como nossa prateleira virtual de conteúdo infinito! Lindo… com reviews, comentários, anotações suas do que achou do filme, do que sentiu na hora, etc.

Não atoa no Kindle Fire tudo é prateleira. Até os aplicativos aparecem em prateleiras. E isso é o que me chamou mais atenção.

O Kindle tem um excelente Hardware. Mas, ao contrário dos abobalhados iPad Killers, o Hardware atende a um proposito: apresentar bem os filmes e rodar bem os jogos! O Kindle Fire não é só um Tablet assim como o iPad e o iPhone não são só o Hardware. Estamos falando da Amazon e do iTunes como provedores de conteúdo e no fundo é isso que conta! A experiência do usuário é o todo e não apenas as partes, é o conjunto e não fragmentos. Ao criar o Kindle Fire a Amazon tem a proposta de entregar ao usuário tudo que ele precisa a um preço convidativo. Isto é MUITO diferente de um Hardware caríssimo que o usuário não precisa porque o conteúdo é escasso. Que aprendam a lição: inovar não é ofercer mais capacidade de Hardware.

O popular predomina na Internet

Acabo de voltar de 28 dias de férias. Já fazia um tempo que eu não ficava “totalmente” desconectado sem ler meus blogs favoritos ou acompanhar o Twitter.

Por ficar todo este tempo desconectado eu tinha a impressão que estava totalmente desatualizado. Mas depois de “ler tudo” que eu havia perdido a sensação não foi de alívio. Na verdade, tive a sensação que não perdi nada. Pior do que isso, agora tenho a impressão que há 10 anos atrás eu tinha contato com mais conteúdo que me agregava valor.

A internet pretendia ser diferente das outras mídias, mas hoje em dia tudo aqui também parece filtrado. E tal como nos outros meios este filtro tende a promover o popular. Ou seja, estou falando que o nosso leitor de RSS, Twitter e até mesmo o Google fazem chegar até nós apenas o que agrada a maioria e está cada vez mais difícil encontrar aquele tipo de conteúdo, que embora não agrade a todos, é relevante para você.

Eu costumava acreditar numa espécie de Darwinismo Digital onde o melhor conteúdo se sobressairia e chegaria até a nós. Mas agora acho que a questão não é o melhor conteúdo e sim o que está mais de acordo com o gosto geral de um grupo. Assim é o Trending Topics do Twitter onde o que é popular no Brasil é completamente diferente do resto do mundo. Isto me leva a supor também que a qualidade do que é popular depende e muito da cultura de um grupo – o que não me deixa muito otimista.

A impressão que tenho é que por sermos seres sociais este tipo de problema é inevitável. A a única saída que vejo no curto prazo é voltar aos livros. Acho que quem investir 5% do tempo que passa na Internet na leitura de um bom livro estará fazendo um bom negócio.

Por fim, acho que este artigo deixa mais claro alguns pontos que deixei de fora do meu texto.

We tell ourselves stories in order to live

Tão inspirador que por não caber no Twitter tive que postar aqui.

EN: We tell ourselves stories in order to live. We interpret what we see, select the most workable of multiple choices. We live by the imposition of a narrative line upon disparate images, by the ‘ideas’ with which we have learned to freeze the shifting phantasmagoria which is our actual experience.

PT: Nós contamos histórias a nós mesmos para viver. Nós interpretamos o que vemos, escolhemos a mais viável de multiplas escolhas. Nós vivemos pela imposição de uma linha narrativa de imagens díspares, pelas idéias que aprendemos congelar modificando a fantasmagoria que é nossa experiência real.

- Joan Didion

Tal como vemos o mundo nossa história é impressa nas páginas da mente. O capitulo seguinte é a continuação do presente. Quão bom escritor você é para si próprio?


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