A Apple e a Google estão nos rastreando. E agora?

Acho que vou morar numa fazenda, plantar e colher meus alimentos, usar velas, beber água da bica e ordenhar minhas vacas. Assim eu não dependo do Extra, do Carrefour, da Eletropaulo nem da Sabesp.

Gostamos de pensar que somos livres e não dependemos de nada, mas só não percebemos que dependemos de muita coisa porque quando nascemos isso já é dado como “normal”. É o que é conhecido como Status Quo.

Como estamos num momento de grandes transformações por causa da internet somos capazes de perceber isso acontecendo e, por isso, o MEDO aflora facilmente.

Temos medo do Google monopolizar a informação. Temos medo da Apple monopolizar as telecomunicações. Medo… medo… medo! O medo move o mundo. Que digam os pastores de algumas igrejas e os gurus do Software Livre (sim, estes ultimos usam com freqüência o desejo de liberdade das pessoas para conseguir novos seguidores).

Quer se recuperar na corrida? Encontre algo que as pessoas temem e lance isso como prática do seu concorrente. Os que estão atrás na concorrência sabem que este é o calcanhar de Aquiles de 99% das pessoas… é difícil não ter este medo pois isto é humano! Isto funciona muito bem há anos. A história é cíclica e os que sabem disso se aproveitam.

Ainda sobre o medo da dependência que as pessoas têm, este documentário mostra como uma coisa aparentemente boba deixou a cidade de Nova Iorque por mais de 12 horas sem luz afetando mais de 30 milhões de pessoas.

Pessoas em cirurgia correram risco de vida. Aviões desviaram sua rota para outros aeroportos. Pessoas ficaram presas no metrô durate horas e horas sem saber o que estava acontecendo. Isso afeta muito mais nossas vidas do que um smartphone com “rastreador”. Mas não damos a mínima, pois as coisas “sempre foram assim”!

Não estou falando que a Apple e o Google estão certos nem errados, só acho interessante como estas coisas mexem com a gente sendo que inúmeras outras que não fazemos a mínima idéia são tão mais importantes.

Portanto, antes de se preocupar excessivamente com coisas do tipo “Oh meu Deus a Apple está me rastreando!” lembre-se que você mora no Brasil (embora isso não ocorra só aqui), depende de empresas como a Eletropaulo, uma das que faturaram uma fatia dos 10 bilhões com cobranças indevidas sobre energia elétrica. Sim, este dinheiro que saiu do seu bolso, e você possivelmente nem sabia disso! Liberdade na sociedade moderna é uma grande utopia!

Chat com um Fanboy

O Post abaixo foi extraído de uma conversa minha com um amigo cujo nome foi modificado depois que pedi sua autorização para publicar este post.

João Barboza
Fala Beck!
Bom dia!

Beck Novaes
Bom dia! 

João Barboza
Vejo pelo twitter q vc gostou do ipad2, rs

Beck Novaes
Sou fanboy

João Barboza
Fanboy mode on? Rsrs

Beck Novaes
Sim! Sempre!
Vc gosta de música?

João Barboza
Rs, sim
Adoro

Beck Novaes
Tem algum artista q vc gosta mto?

João Barboza
Gabriel Grossi

Beck Novaes
Hm.. ñ conheço
Mas deve ser mto bom
Pq vc gosta dele?

João Barboza
O cara tem 28 anos, toca gaita cromatica com improvisos que sao extremamente dificeis de serem feitos. Grava com Chico Buarque, Caetano e outros mais…

Beck Novaes
Show!!!
E se eu te disser q ñ concordo q o cara é bom?
E que vc só tá falando isso pq é fã dele?
Pq na música, nos esportes, no cinema podemos ser fã das pessoas e na tecnologia não?
Pq na tecnologia qdo vc mostra q é fã de algo vc perde totalmente o crédito e as pessoas deixam de argumentar com vc e só lhe acusam de ser fã?
Que mal há em ser fã de algo?

João Barboza
Hm, good point

Beck Novaes
Que mal há em ter referencias?
Um garoto quer ser igual o Ronaldo, o Messi…
Um músico quer ser igual ao Gabriel Grossi
Que mal há em querer ser igual ao Steve Jobs?

João Barboza
Acho q e pq envolve dinheiro, e o mercado ne

Beck Novaes
Ñ! é pq as pessoas simplesmente ñ aceitam
Vc ñ pode ser fã qdo se trata de tecnologia
Pq eles pensam q só pq vc é fã vc ñ tem argumentos
Mas isso ñ é verdade
Ñ é pq vc admira q vc ñ tem argumentos… mas ninguém quer ouvir vc
Isto nada mais é do que total preconceito
Se vc fala q gosta de algo em tecnologia vc ñ pode mais argumentar com ninguém
Pois no final será muito fácil para eles: basta falar q vc é fanboy

João Barboza
Queimem os fqnboys! Rsrsrs

Beck Novaes
Acho q no lugar das pessoas simplesmente criticarem elas deveriam se perguntar: o q será q a Apple tem q a faz ter pessoas apaixonadas pelos seus produtos?
Além disso, vc também gostaria q as pessoas fossem apaixonadas pelos seus produtos, não?
Então, talvez, no fundo vc também queira ser igual a eles, não?
Vc gostaria de ter fanboys dos seus produtos, não?
Faça o q eu digo mas ñ faça o q eu faço.
É engraçado isso!

João Barboza
Entendo, vc ate pode gostar mas nao pode dizer, se nao é fanboy
sim… nunca mostre q vc gosta mto de uma coisa em tecnologia
senão jamais vão te levar a sério

Beck Novaes
Infelizmente! Pois qdo vc gosta mto de algo, qdo vc tem paixão por algo, é q coisas incríveis acontecem. Embora, paradoxalmente, as pessoas de tecnologia vêm totalmente o contrário disso

João Barboza
Burrice pra falar o pt_br claro

Beck Novaes
Por isso eu digo
Sou Fanboy
A Apple é foda
Steve Jobs é o cara
É por isso tudo q eles fazem copiam
Quanto tempo vc acha q vai levar para as empresas de tablets fazerem suas próprias cases imitando a da Apple?
Talvez o mesmo sentimento q move a Apple é o q move seus fanboys… por isso eles fazem produtos excelentes (o que ninguém pode negar)… e por isso gostamos tanto
E também por isso, por mais q tentem copiar, talvez jamais façam melhor, pois a necessidade “moral” de parecer “racional” os impede de fazer as coisas com a paixão necessária para conseguir seus próprios fanboys

Um bom complemento a este post é este Podcast com Fanboys e não Fanboys no blog da DClick.

A UX do Texto

Vou começar este texto confessando algo: eu não entendo nada de regras gramaticais da Língua Portuguesa. Lembro de ter ouvido falar de um tal de Adjunto Adverbial na época da escola, mas não faço a menor idéia do que isso significa. Pior, tenho até medo, simplesmente porque dá a impressão que é uma coisa complicada.

Neste momento eu quero que você entenda o que se passa na minha cabeça e tudo que tenho para isto são as palavras. Neste momento não devo me preocupar excessivamente com regras gramaticais pois isso desviará o meu foco de tal forma que aquilo que eu quero que você entenda ficará em segundo plano. De fato, só esta frase anterior já quebrou todo o raciocínio do início do parágrafo. Posso ver o Adjunto Adverbial na minha cabeça vestido de Freddy Krueger com um sorriso macabro no rosto (Freddy Krueger sorri? Foco! Foco!).

Mas como eu ia dizendo, neste momento eu quero que você entenda o que se passa na minha cabeça e tudo que tenho para isto são as palavras. A primeira coisa que se passa na minha cabeça é que não gosto de coisas complicadas. Meu cérebro é como uma festa que para permanecer boa não pode virar bagunça. O Adjunto Adverbial, que insiste em aparecer vestido de Freddy Krueger, sempre é barrado na entrada porque ele parece uma coisa complicada e coisas complicadas sempre bagunçam tudo. Quando começo a ler um texto onde o autor insiste em demonstrar que sabe falar bonitinho mando todas as palavras dele dar meia volta pois nenhuma delas merece fazer parte da festa dentro da minha cabeça.

Acredito que mais do que me preocupar se estou escrevendo tudo certinho tenho que me preocupar com o sentido das palavras que eu uso. Se por um lado a preocupação excessiva com as regras gramaticais desviam meu foco enquanto escrevo, por outro,as palavras que escolho podem desviar seu foco enquanto você lê. Palavras ambiguas, que podem ser interpretadas de N maneiras, provocam o efeito telefone sem fio no texto. De palavra em palavra, sujeitas as mais variadas interpretações, os leitores acabarão com um entendimento totalmente diferente uns dos outros.

Na realidade a questão da ambigüidade é um tanto ambigua, pois se por um lado palavras ambiguas desviam o foco, as palavras não ambiguas costumam ser menos familiares e o seu texto pode acabar ambiguo da mesma forma. É uma questão de tradeoff. Inclusive, sei que a palavra tradeoff e o uso repetido da palavra ambigüidade podem ter deixado este parágrafo confuso, mas é uma decisão minha deixa-lo como está por dois motivos. Primeiro porque não conheço palavra melhor do que tradeoff para falar da escolha entre palavra ambiguas familiares e não ambiguas pouco conhecidas. Segundo porque gostei do efeito da minha frase antes da primeira vírgula deste parágrafo. Por fim, deixei isto para o fim só porque desconfio que assim que leu a frase anterior você foi lá no início do parágrafo para ver o que tem antes da primeira vírgula.

Não apenas as palavras ambiguas podem desviar o seu foco, mas se o meu texto assumir uma forma que não auxilie o conteúdo isto também pode torna-lo complexo demais para ser interessante. Eu modifiquei várias vezes a forma deste texto para que ele auxiliasse o conteúdo. Posso não ter acertado na mosca, mas este foi o meu objetivo. O forma do meu texto segue a sua função. Creio que tomar regras gramaticais como as premissas mais importantes provavelmente levará o texto a uma forma mais complexa. Afinal de contas qual é a função do seu texto: Passar alguma mensagem? Explicar algo? Ou mostrar tentar demonstrar que você é inteligente por que sabe “escrever bonitinho”?

Precisei transformar todos estes meus pensamentos em palavras para que você como leitor soubesse o que se passa na minha cabeça sobre estes assuntos. Por isto acredito que as palavras e a forma compõem a User Interface do seu pensamento naquilo que podemos chamar de UX do Texto. Uma viagem, não? Mas a viagem é parte da experiência e eu espero que tenha sido boa acima de tudo. Pode até ser que você tenha encontrado aqui algum erro gramatical mas agora você já sabe com o que eu realmente me importo.

O Líder que inspira e o Líder que instiga

Lula tem 80% de aprovação. Dilma deve ser eleita graças a ele. O povo adora o Lula. Muitos dizem que ele é um líder nato. Mas existem líderes e líderes.

Um bom líder é aquele que inspira. E o Lula não inspira. Veja seus discursos. Quando ele se dirige ao povo brasileiro ele não fala muitas coisas que fazem as pessoas se sentirem “leves”. Ele fala coisas que faz as pessoas que gostam dele sentirem ódio. Revolta! Ele não consegue simplesmente falar de coisas boas que ele fez e deixar as pessoas apenas felizes. Ele sempre fala em tom de ironia. Ele sempre se compara com o passado e diz que fez muito mais sem ter estudo. Lula nunca sequer fez uma ressalva para as crianças do Brasil alertando que ele é uma grande exceção e que elas precisam sim estudar. Líderes de verdade fazem isto. Líderes de verdade estimulam boas virtudes.

Você que idolatra o Lula pense como você se sente quando ele fala. O que ele provoca em você? Ele inspira virtudes? Ou até mesmo este texto, que é uma simples opinião, o irrita demasiadamente? Você não é capaz de ouvir opiniões contrárias ao Lula? Por quê?

Seja sincero consigo mesmo e tenha consciência do tipo de líder que você idolatra. Sei que existe uma grande probabilidade de você negar tudo o que está escrito aqui. Os líderes conseguem provocar isto nas pessoas. Mas eu só estou pedindo que você pense se o Lula realmente lhe inspira virtudes. Se não for este o caso, tome muito cuidado.

É inegável que Lula é um líder. Mas alguns líderes inspiram. Outros, instigam. Lula poderia ser Abraham Lincoln, mas segue os passos de Adolf Hitler.

Veja abaixo o que o fundador do PT pensa disso:

P.S.: Não estou criticando o Governo Lula, pois até me surpreendeu. Acho que ele acertou ao dar continuidade a política economica e mais prioridade ao social. Mas não o considero o salvador da pátria e acho que ele erra muito ao não enxergar o mau exemplo que é como líder que instiga negativamente as pessoas.

A cópia da Inovação

Recentemente recebi este link do Tablet da Sansung e muitos amigos meus deliraram com o novo dispositivo. Comecei a responder um email mas o texto rendeu e achei melhor fazer um post.

Bem, eu ainda sou mais o IPad! Nada se compara ao Hardware e Software da Apple. Não acho que é atoa que eles venderam em um trimestre 10 vezes mais que o DVD que até então era o segundo dispositivo com adoção mais rápida da história.

Estendo meus comentários porque falamos muito de User eXperience ultimamente. E eu considero a Apple o maior exemplo de empresa que entende o que estas duas letras (UX) significam.

Eles podem não ter inventado o sistema operacional, mas foram os primeiros a levar para as pessoas comuns (Experiência do usuário). Podem não ter inventado o Touch Screen, mas foram os primeiros a levar para as pessoas comuns (Experiência do Usuário). Podem não ter inventado os Tablets, mas foram os primeiros a levar para as pessoas comuns (Experiência do Usuário). Inovar não é inventar. Quem estuda Design sabe que “levar para pessoas comuns” é um desafio tão grande quanto inventar algo. E também é isso que garante o sucesso de um produto ou não.

A Apple pode até “copiar invenções” de outras empresas como muitos acusam, mas TODAS AS OUTRAS copiam as inovações da Apple.

Já havia Touch antes da Apple. Mas foi só sair o IPhone que todo celular agora é Touch. Já haviam tablets antes da Apple. Mas foi só sair o IPad para que todo mundo saísse correndo para produzir Tablets.

Isto porque quando lançaram o IPad muita gente esnobou falando que era “só um IPhonão”… agora, todo mundo copia o IPhonão. So que eles colocam uma camerazinha melhor aqui, adicionam 845 Mega Pixels ali, e mais uma penca de siglas no melhor estilo meias Vivarina e Facas Ginsu para mostrar que seu dispositivo é melhor que o IPad.

Agora, o que eu quero ver é o seguinte: Quero ver melhorar a UX! Quero ver fazer a coisa tão mais fácil que vai fazer o IPad parecer um dispositivo das cavernas. Pois é isso que a Apple faz quando inova: faz os celulares antigos parecerem das cavernas e os Tablets do passado ficaram ridículos perante ao IPad. Repito: inovar não é inventar, muito menos adicionar siglas ultra power aos produtos.


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