Todo problema é um mistério a ser resolvido. E como se resolvem mistérios? Levantando pistas, definindo validando e descartando hipóteses.
Na busca de solução para problemas as idéias iniciais são como pistas que só o tempo dirá se são boas ou ruins. Quando boas, as pistas lhe aproximam da solução. Quando ruins, as pistas lhe afastam dela. Por isto devemos investigar e jamais assumir que a pista é verdadeira.
Agarrar a primeira idéia sem desconfiar dela é como agarrar a primeira pista para desvendar o mistério. Se este mistério for um crime, você corre o sério risco de prender a pessoa errada. Se este mistério for um software, você corre um sério risco de cometer um crime.
Dada a freqüência com que se agarra a primeira idéia em empresas que desenvolvem Software ouso deduzir: ou somos criminosos por natureza ou não sabemos o que somos. Por isso, fica no ar a pergunta: por que geralmente ficamos com a primeira idéia?
Quando o IPhone saiu sem suporte ao Flash Player as pessoas não deram muita atenção, principalmente porque ninguém imaginava que o IPhone cresceria tão rapido e dominaria quase completamente as estatísticas de acessos à internet via Mobile. Mas veio então o IPad, toda a polêmica envolvendo Apple Vs. Adobe e hype do HTML 5 e o sinal amarelo ascendeu para a Adobe.
Os últimos dias me despertaram um sentimento que a comunidade RIA anda meio parada. Por isso resolvi verificar as duas principais listas de discussão em português, a FlexDev e a Flex Brasil, e a principal em Inglês, a FlexCoders.
A primeira coisa que se percebe é que é notável como a quantidade de posts vêm caindo. No entanto, o que chama ainda mais atenção é o fato de a quantidade de posts começarem e diminuir depois da data de lançamento do IPad (estopim da gerra Apple Vs. Adobe). Seria isto apenas uma coincidência?
Para piorar a situação tenho visto algumas críticas pesadas contra a Adobe vindo justamente de empresas que mais a apoiavam no passado [1] [2]. No geral parece que os desenvolvedores não ficaram tão empolgados com o Flex 4, embora conceituamente a tecnologia tenha ficado bem melhor.
Isto sem contar o fato de que cresce o número de pessoas que decidem bloquear o Flash no Browser. Como pode ser visto na imagem abaixo, o add-on que bloqueia o Flash no Chrome é um dos mais baixados (graças aos Designers e as agências que resolvem usar toda sua criatividade para criar banners intrusivos que flutuam sobre o conteúdo).
Tenham os desenvolvedores RIA sentido o baque ou não o que eu sei é que esta não é a primeira crise do Flash Player. Ouço falar de Padrões Web há anos e cansei de ver as pessoas que mais advogam os padrões falarem que o Flash morreria logo. No entanto, entra ano sai ano o Flash continua tendo uma grande penetração no mercado.
Para a Adobe fica a missão de ouvir as críticas e tentar aprimorar ainda mais suas ferramentas, pois somos nós, os desenvolvedores e a comunidade que puxamos a adoção das tecnologias. Acredito que a Adobe MAX este ano será uma excelente oportunidade para nós compreendermos melhor o que a Adobe tem em vista para os próximos anos.
Para a comunidade, vale apenas lembrar o fato de que o ser humano é muito “Maria vai com as outras”. E se você acredita mesmo na plataforma Flash, observe com atenção este movimento do HTML5, mas seja critico o suficiente para analisar a tecnologia e não se deixar envolver simplemente pelo Hype.
A fama no fim não é um problema. O problema está no meio para se chegar a este fim. Alguns famosos fizeram uma coisa muito boa; outros, uma coisa muito ruim. Alguns tiveram sorte; outros, foram fabricados. Apenas o primeiro grupo tem o meu reconhecimento e admiração. E se um dia eu fizer parte deste grupo, saberei automaticamente que fiz algo muito bom.
Sabe por que é difícil para os muitos técnicos inovarem? Porque eles olham o Twitter e dizem: isto é ridículo de fazer. Olham para o Youtube e dizem: isto é ridículo de fazer. Olham para qualquer boa solução e dizem com desdém: isto aí é meia dúzia de tabelas. E de tão ridiculo eles jamais teriam feito se tivessem a oportunidade. São pessoas que têm conhecimento técnico, mas jamais apostam em idéias que elas julgam ridículas.
O irônico aqui é que o “ridículo” nada mais é do que a incapacidade de vislumbrar a oportunidade. Talvez o problema seja tentar “ser racional demais”. Muitas vezes grandes inovadores simplesmente sentem que possuem algo grande pela frente. As vezes eles nem conseguem explicar porque acreditam tanto na sua idéia. Creio que isso acontece porque nestes casos não é o “ser racional” que está no controle, mas sim, algo muito mais visceral (intuição?) na nossa estrutura cerebral.
A evolução levou anos para criar mecanismos que nos permitem tomar decisões importantes à nossa sobrevivência em milissegundos. Eu acredito que as vezes estes mesmos mecanismos atuam sobre algo que não podemos explicar, porém, sentimos que “vai ser sensacional”. Talvez por isso os criadores do Twitter não sabiam no que ele iria se tornar de verdade. Ao mesmo tempo em que algo visceral dizia a eles “isto vai ser sensacional” o “ser racional” tentava compreender, sem sucesso, o que havia de tão espetacular numa idéia tão simples. O grande mérito de muitos inovadores é não deixar o “ser racional” assumir o controle. Eles simplesmente fazem!
Vejam o que um dos criadores do Twitter disse em 2007: Muita diferença para quem vive falando em “ridículo”, não é mesmo?
Da mesma forma aquela sua idéia está na gaveta há tempos. Você sente que é algo bom, mas como seu ser racional ainda está em dúvida você não coloca em prática. E isto vai ser uma luta complicada, pois o “ser racional” é muito difícil de ser batido.
Construir em cima de uma idéia é como construir um prédio. Você tem que começar pela base identificando sua premissa principal. Quando você tem uma base sólida é mais fácil construir sobre ela. As ideias e premissas posteriores, que estarão nos andares de cima, surgirão com naturalidade e se desenvolverão rapidamente.
Mas não saber qual é a premissa principal é como mexer na base o tempo todo depois de alguns andares já terem sido construídos. Quando você faz isso, inevitavelmente, você abala as estruturas. Pode até ser que você consiga concluir o que está construindo, mas não demora muito a ruir.